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Para ninar espíritos
Escandir cumplicidades
Escutar o vermelho das nuvens
E o tropel dos pingos
Amarguras renúncias
Ruflar peitos
Empunhar ardores
Penhascos eternidades loções
Envolver amigos, maquiagens e nadas
Fender hímens de sementes
Esbagoar féis
Cavalgar simbolismos
Entorpecer Deuses ensangüentados
Partilhar mangas e carambolas
Fincar barrancos
O rio passar
E não há que se opor ao curso.
Para assoprar machucados
Que o rolimã mais cauteloso o prefira
Saiba derrapar em sóis de anil
E sofrear o corte em escalas de criança
Quem primeiro atravessar a dor do jantar
Os pés de dinheiro
E os chinelos de papai?
Prometer sigilos à tábua
Aroeiras abominam fofocas
Levar o lixo para fora
E comer tudinho
Sobretudo esquecer os freios
Ao volante cabe voar
E o motor da última Ferrari
Averiguar quando torna a segunda-feira.
Para escolher forquilhas
Optar pelo galho mais alegre
De goiabeira de fim de cinza
De noite arredia
E sacis xeretas
Enfim se decidir pelo corte:
Improvável cumprir completo a vida
Esticar braços condoídos
Para teste da melhor goma
E divertir dos amigos
A penúltima manhã amarela
Não alvejar canários ou azulões
Nem estrelas
Acolher o travesseiro o estilingue
Ao presságio de outras guerras.
Para afugentar salamandras
Não confundir lagartos
A cada trigo seu espantalho
Ao travesseiro a imaginação
E feéricas as pálpebras
Aceitar lençóis e cobertores
Cinzelar serenidade em temporais
Compor trovões em sol-maior
Inflamar vaga-lumes
Corromper pesadelo em alvuras
Plantar tufos a raiz da noite
E recuar ao segredo de si
Quando incontroláveis as sombras:
Dormir.
Receita para
dividir o vento
Tornar a mim e recuperar o susto
Reter no peito as mechas bruxuleantes da aurora
Depois correr alcançando o fruto
acariciando o bojo da manhã:
fosse ontem.
Desalinhar os ninhos de bem-querenças
Abraçando as horas alçando mãos ao amigo
Enganar o arco-íris
Roçar as coxas em tropel e vasculhar sussurros
Inventar carinhos
Desvendar a moradia das nuvens.
Tecer insetos, remoer assombros urdindo peitos
Escorar sorrisos em cercas ilesas
Ordenhar giralua feito brumas de cantigas
escorridas em devaneios
e cansar em beijos.
Resgatar a brisa, contendo-a em sacos de fé
e chegar-se ao rosto da terra
e soltá-la, disparando ao regaço dos homens.
Crescer sem pressa do amanhã
Desenterrado de ausências e nada invejar
Silenciar o fel dos punhos
Inaugurar cismas.
Ultrapassar o vento:
escapasse.
Receita para encantar o
breve
Doar sombras ao suspiro da vela
Dividir o sumo em borrifadas de pêsames
Conectasse a relva ao instinto de nós
Rasgasse o céu em confeitos de lua
Tingisse a voz em sete tons de aconchego
E principalmente perdoar.
Doar sorrisos à potência das pernas
De tão pássaro que o mundo,
Selva e multicor
Encantado de alturas
Perecerá de feitiços.
Compreender intervalos e dormir.
Cumprir desejos de anjos
Salpicar margaridas em aflições
Dilacerar angústias em pontas de dedos
e retornar à planta.
Que impacientes.
Roteiro para
edificar o nada
A Érica Valle
De romãs e jabuticabas
De traquinagens e pipas
A lápide grita nossos nomes grafites
E não fizemos que abandonar
Limpar as cinzas
Remeter compassos ao beijo retido
Implorar lembranças
E fui entre o barro e o cimento
Carpir abatimentos e derrotas
E suspirar
De tanto laço que é feita a perda
E a dor é erguer vazios
Entranhar dissonâncias
Degredar a busca de dois
E é por isso
Apenas.
Roteiro para empreender a
fuga
A Érica Valle
Reter o vão
Chacoalhar guizos de canduras
Afivelar saudades
Olhar derradeiro as disposições dos trigos
Recolher as tranças das rosas
Beirar a ânsia de conter o então
E depois.
Ajeitando o cerco com urgências
E fechaduras.
Repisar o charco
Levasse um naco de alma
Reinventar companhias
Calcular senões
Improvisar amor
Refundir amálgamas de pedras
E vegetais.
Levar também a chave
Para o caso de querer retornar.
Do livro "As três
infâncias ou o livro dos verbos".
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