Maximiliana Reis e Jarbas Homem de Mello *** Querido mundo ***

 

Sou apreciadora de quem se aproxima da criatividade. Questiono, e sempre, a origem das idéias, a função dos ideais. Questiono não como quem desconfia, mas sim como curiosa. Gosto de saber o que se passa na alma do artista, sobre o processo de criação dele. Eu me interesso pelo o que o outro tem a dizer.

Quem acompanha as crônicas que escrevo semanalmente para o Crônica do Dia (www.patio.com.br/cronica) já sabe que quando se trata de livros, discos ou filmes, eu escrevo somente sobre o que realmente gosto. Não escrevo resenhas para os livros ou críticas para os filmes. Não sou versada em criticar, mas me atrevo a escrever sobre o que me emociona e colabora com o bem-estar da minha alma.

Sou leiga quando o assunto é teatro. Assisti a poucas peças, erro que vivo insistindo em corrigir, porque a idéia de tirar personagens do papel e levá-los ao palco me fascina. Na verdade, sou a ‘moça do backstage’... Adoro conhecer a arte da idéia ao feito; de ver como se formam as tribos e como nascem as parcerias. De como são construídas as suas obras.

No sábado, 08 de abril, aceitei o convite de um casal de amigos e fui ao teatro. Estava animada, porque era algo que queria fazer há um bom tempo. De qualquer forma, a expectativa era zero, já que não tenho o hábito de ir ao teatro e não sei dizer o que ou quem me agrada neste universo.

Grata surpresa me esperava no Teatro Gazeta, aqui em São Paulo. Primeiro, tratava-se de uma comédia de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa. Depois, contava com a direção de Rubens Ewald Filho. Na espera pelo início do espetáculo, foram essas as informações que me animaram ainda mais por estar ali. O que eu não imaginava, é que eu seria conquistada, de cara, pela dupla Maximiliana Reis e Jarbas Homem de Mello, os protagonistas desta deliciosa comédia sobre ver o mundo cair na sua cabeça e ainda ter coragem de juntar os cacos com a maior boa-vontade.

Enquanto as pessoas se reúnem na praia de Copacabana para assistir à queima de fogos em comemoração ao ano novo, um acidente deixa Elza e seu vizinho, Osvaldo, presos no apartamento dela. No cenário, o marido de Elza, morto na explosão do botijão de gás.

Confinados um à presença do outro, Elza e Osvaldo desfiam suas histórias doloridas e, ao mesmo tempo, constroem uma nova. E com muito bom humor. “Querido mundo” é uma jornada de reconquista, na qual os personagens descobrem que ainda pertencem a si mesmos e não aos seus antigos parceiros e, a partir daí, entregam-se à possibilidade de conhecer a felicidade.

Maximiliana é ótima no palco. Construiu uma Elza que se parece demais com muitas mulheres que, com certeza, a maioria de nós conhece ou é. A empatia é certeira e logo nos pegamos rindo da desgraça que se abate sobre sua vida, porque não há como não fazê-lo. Jarbas tem uma linguagem corporal fantástica. Ao seu personagem, Osvaldo, ele oferece o tom certo, arrancando gargalhadas do público através de uma expressão ou um olhar. A sintonia entre eles é provedora de uma cadência perfeita para as situações pelas quais passam Elza e Osvaldo.

“Querido mundo” é uma ótima peça, com talentosos atores e um cenário muito interessante. Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa ofereceram a oportunidade de rirmos um pouco de nós mesmos. Maximiliana Reis e Jarbas Homem de Mello deram vida a esta oportunidade nos permitindo identificar com Elza e Osvaldo. O que mais posso dizer? Vá ao teatro e confira você mesmo!

Carla Dias


“Querido mundo”
Comédia de Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa
Com Maximilana Reis e Jarbas Homem de Mello
Direção: Rubens Ewald Filho
Realização: R&M Brasil Produções

2007 - CURTA TEMPORADA!
Teatro Gazeta
Avenida Paulista, 900 – São Paulo
Informações: 11.3253 4102
Vendas de ingresso por telefone: 11.3089 6999

Comunidade no ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=11945344