Prateleira 
 
 

Caminhos de Poe(a)mar
Merivaldo Pinheiro

 
Fortuna crítica:

Centrado e inquieto, em sua poesia fraterna e solidária, Merivaldo Pinheiro só deseja uma coisa, essa coisa humana, para ele o maior dos bens terrenos. Daí sua invocação: 'Dai-me, Senhor, palavras-pão de todo santo dia'.
O livro é iniciado com poema de perfil social, primeira preocupação do autor, poeta sociocêntrico, onde homens saltam da primeira página, os imprevistos, os desaparecidos, faixa de gaze atravessada no peito (no jogo de palavras com a conflituosa Faixa de Gaza que todo dia comparece nos jornais escritos e televisionados).
É na palavra que o texto de Merivaldo Pinheiro mais se acende, ascende, se ilumina por completo, torna-se mais maduro como significado e significante. Na poesia de Caminhos de Poe(a)mar parece que tudo conspira a favor da energia da palavra: natureza, amor, Deus.

Olga Savary
(Poeta, ficcionista, crítica, ensaísta, tradutora e jornalista)
 

 

As Espirais de Outubro
Whisner Fraga

 

OUTUBRO DA DESESPERANÇA


Uma velha escritora, “com setenta e dois longos anos pesando em minhas pernas varicosas”, escreve um diário íntimo durante treze dias de outubro (de 2005? — é o que parece...). Ela está no apartamento 1402 (14. andar) de um prédio num terreno em Botafogo, no Rio de Janeiro.
Seu escrito trabalha com dois registros: o primeiro, que se passa nesse apartamento, é predominantemente memorialístico, da memória antiga, mas não só. O segundo, denominado “Na cidade”, por sua vez, trabalha com o presente, com a memória imediata, registrando andanças e observações de um olhar idoso e ao mesmo tempo nosso contemporâneo.
Nos dois registros diversas coisas, objetos, esperanças, expectativas, ilusões, acontecimentos, impressões, personagens, sentimentos e pequenos delírios se cruzam. Porém não propriamente para se esclarecer ou iluminar mutuamente, como talvez esperasse um leitor contrafeito, senão que para “engrossar o caldo”, ou dar maior densidade à matéria narrada.
A simpática velhinha espera para breve, antes que seja definitivamente devorada pelo câncer que a rói, o anúncio do prêmio Nobel de Literatura, que ela, com certeza, desta vez, ganhará. É de lembrar que o dito prêmio em geral costuma ser anunciado no mês de outubro de cada ano.
Não sei se maliciosamente ou não, esse diário talvez pudesse ser escrito, no Brasil, por escritoras como Hilda Hilst, ou Clarice Lispector, ou mesmo Lygia Fagundes Telles, sem que vá nisso nenhum desdouro a elas, aliás, mera dedução deste leitor, visto que esses nomes não são referidos na narrativa.
A autora do diário chama-se Aila e como não consta sua existência nos meios literários nacionais ou alhures, o prêmio Nobel esperado funciona como parte de um delírio, no qual literatura, dinheiro, mercadoria e prestígio se cruzam num jogo de ilusões e frustrações. Por isso, o texto é ao mesmo tempo irônico, inconformado, desafortunado, caricato e delirante.
A esperança e a frustração se corroem mutuamente. As outras personagens são sombras projetivas da narradora, desde a juventude até a velhice abandonada. Mas o Brasil também percorre a memória da narradora em momentos cruciais do século XX e se mostra na sua irrelevância, tanto pela notação crítica quando pela indiferença e o descuido para com a velhice. No final o leitor terá uma surpresa, mas essa não se conta, já que é surpresa e convém chegar ao final do livro para encontrá-la.

Valentim Facioli

Atendimento
NANKIN EDITORIAL
Rua Tabatingüera, 140, 8. andar, cj. 803
Centro – São Paulo – CEP 01020-000
Tel. (0**11) 3106-7567, 3105-0261
Fax (0**11) 3104-7033
www.nankin.com.br
nankin@nankin.com.br 

 

 

A Música e o Risco
Rose Satiko Gitirana Hikiji

 

Etnografia da Performance de Crianças e Jovens Participantes de um Projeto Social de Ensino Musical


Rose Satiko buscou com este trabalho percorrer os significados do fazer musical entre crianças e jovens participantes de um projeto governamental de ensino de música destinado à população de baixa renda de São Paulo. Nele, discute as diversas facetas do fazer musical observado (e sentido), como seus aspectos pedagógicos, políticos e performáticos, e procura descrever as relações dessa prática social com a construção das noções de corporalidade, temporalidade e alteridade entre seus sujeitos. A opção pela observação de um único projeto não implica uma abordagem institucional: a autora enfatiza que o foco do trabalho não é o Projeto Guri, escolhido para as observações, mas a prática musical, pensada como atividade simbólica de forma ampla, com contornos específicos dadas a faixa etária e a situação social de seus atores.

Rose Satiko Gitirana Hikiji é doutora em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo. Professora do Departamento de Antropologia da USP, pesquisadora do Grupo de Antropologia Visual (Gravi-USP), do Núcleo de Antropologia da Performance e do Drama (Napedra-USP) e editora da revista Sexta-Feira – Antropologia, Artes e Humanidades. É uma das organizadoras do livro Escrituras da Imagem, também publicado pela Edusp.

 

 

A Volta dos Mutantes
Paula Chagas Autran

 
“A Volta dos Mutantes” no Café Journal

Paula Chagas Autran conta da história do fim do grupo até sua volta em um livro de crônicas, recheadas de histórias divertidas e de muitas fotos.

Por onde andavam Arnaldo, Dinho e Sérgio? O que fizeram durante 30 anos de ausência dos Mutantes? Dinho ficou todo esse período sem sequer olhar para a sua bateria. Arnaldo virou artista plástico na maior parte do tempo. Sérgio produziu diversas bandas neste longo período de afastamento do grupo. No livro A Volta dos Mutantes, de Paula Chagas Autran, Editora Publisher Brasil, essas e outras histórias estão reveladas em detalhes.
Depois de mais de trinta horas de entrevistas com os principais personagens e de muitas outras tantas de intensa pesquisa, Paula Autran conta a saga da volta do grupo em 52 histórias divertidas, polêmicas, instigantes e, por que não, sérias.
As histórias do livro situam-se entre o fim do grupo com sua formação original, em 1973, e a sua volta, com o show memorável no Museu da Independência, em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo, em janeiro deste 2007.
O livro também conta com um projeto gráfico bem diferente do padrão usual em livros. “Algo mais rock in roll, cheio de fotos e diferentes tipologias. Uma coisa mais Mutantes”, revela Paula Chagas.
O lançamento do livro acontece no dia 21 de maio, no Café Journal, a partir das 19:30h.
Em conjunto ao lançamento do livro acontecerá uma mostra de 30 fotos dos Mutantes, 14 delas são de autoria de Drika Bourquim e o restante de Zé de Boni.

Ficha Técnica: A volta dos Mutantes
Autora: Paula Chagas Autran
Editora Publisher Brasil – www.publisherbrasil.com.br

120 páginas
100 fotos
 

 

Texto de divulgação

Idade do Zero
Zeh Gustavo

 
“Idade do Zero”: a poesia que não aceita a mesquinhez, mas canta loas às pequenezas e modéstias
 


É a idade pós-humana, (...) que detecta a falência da criação, sugerindo novas simbioses, máquina-homem, arte-sistema produtivo, nas quais o ser humano, num esforço para inventar o novo e superar o medo, teria seu corpo transmutado e transformado em arte (...) Idade do Zero narra uma nova gênese, a da reconstrução do ''Eu'', poeta e homem, diante de um mundo atocaiado por aqueles que o habitam.

(Whisner Fraga, escritor e ensaísta, in Jornal do Brasil, 28/10/2005)



Lançado nos dias 18 e 21 de outubro, respectivamente no Rio (Livraria Luzes da Cidade, Espaço Unibanco) e em São Paulo (Livraria Estação Poeta), Idade do Zero é um livro elaborado sob uma perspectiva de renovação/inovação da matéria poética, considerando-se como sua unidade primeira a palavra. Neste sentido, a frase poética desenvolvida no conjunto dos poemas busca também, igualmente, um efeito de ressignificação e de desalojamento do lugar lírico atribuído tradicionalmente à poesia. Sua sintaxe, assim, combina elementos, linguagens e mundos de referência lingüística diversos, de modo a incitar uma nova forma de provocar lirismo e ludismo, por lidar com o não usual. Se a palavra transmuta-se para brinquedo, a frase constitui o suporte ou fase dentro da própria brincadeira: o poema.

Tematicamente, Idade do Zero não foge de trazer de volta questões mal resolvidas pela modernidade. A falta de lugar do indivíduo num modelo de sociedade cujos lugares encontram-se funcionalmente distribuídos, em que o reconhecimento normalmente resulta da adequação e do caráter oportuno do que se faz, e não do que se pensa ou se sente ou se é dentro da coletividade. A própria rejeição, e dependência, em relação ao viver frenético da cidade. A impessoalidade reinante nas atuais relações humanas. O desgaste, a saturação e a distorção do olhar e mesmo dos outros sentidos num mundo concentrado de imagem e velocidade. A fragmentação da realidade e, por conseguinte, de qualquer discurso que se produza. Um senso de desorientação, caos que predomina mesmo no interior do indivíduo. Nada, portanto, escapa de um grande vazio existencial por onde o eu-lírico de Idade do Zero transita, vive, pesquisa.

Invertem-se status. O que não é valorizado, passa a ser: o incomum, o torto, o traste, o velho. O termo de baixo calão. A palavra (ou sentido da) que caiu em desuso ou que tinha tudo para virar palavra e não chegou a ser. Rebaixa-se o trabalho socialmente mais reconhecido. Denigre-se a idéia de mercado, de produtividade, eficiência. Condena-se a rotina. Faz-se poesia do lixo, do erro, do estranho.

Idade do Zero, com isso, tende a causar uma estranheza inicial no leitor, por este não se defrontar com um eu-lírico autopiedoso, romântico evocativo, mas com um poeta às vezes de tom agressivo, comicamente grosseiro ou infantil, tragicamente melancólico e crítico do(s) mundo(s) que ele adora e abomina contraditoriamente, num movimento duplo e tenso de encantamento-repulsa do indivíduo pelo seu meio, já demarcado por Baudelaire na alvorada da modernidade e do urbanismo na França.

"IDADE DO ZERO" À VENDA TAMBÉM PELA INTERNET. CLIQUE E CONFIRA:

>> Livraria Cultura

>> Livraria Siciliano

>> Livraria Saraiva
 
>> Livraria Nobel

Escrituras Editora

 

 

Mulher - Um resgate íntimo
Paulo Mendonça

 

Como médico neurologista e pesquisador, Paulo Mendonça escreveu o livro “MULHER UM RESGATE ÍNTIMO”, abordando uma das principais causas dos sofrimentos e depressões nas mulheres. Fácil de entender: a mulher nasce com seus valores geneticamente femininos e a educação a faz absorver os valores determinados pela sociedade patriarcal. O livro, “numa magia deliciosa”, conforme informações das leitoras, estimula o resgate desses valores desaparecidos ainda na infância. Audacioso e completamente diferente dos demais, usa 3 linguagens: um conto, informações e poemas, estrategicamente colocados para que o enredo seja desenvolvido na mente da leitora. A partir do meio da leitura a mulher selvagem, inquestionavelmente forte, começa aflorar no cerne da alma da leitora, fazendo-a entender e sentir a plenitude feminina capaz de afastar muitos fantasmas, utilizando a sua própria verdade frente às “verdades” que lhe foram impostas pela sociedade.

DICAS PARA A LEITURA – Por ser um livro que interage com a alma da leitora, não deve ser lido rapidamente. O seu conteúdo deve ser analisado com calma, sem muito esforço para entender perfeitamente o que se encontra nas entrelinhas, No decorrer da leitura, o somatório das informações, o conto e os poemas, irão proporcionando o resgate dos principais valores femininos soterrados no fundo da alma da mulher.

O livro, MULHER UM RESGATE ÍNTIMO, pelas suas características informativas e interpretativas, já está sendo adotado em um conceituado colégio do Paraná, como leitura obrigatória no segundo grau.

 

 


Essências em metáforas
Antonio Miranda Fernandes

 

Saiba mais sobre este lançamento no site do autor: www.poemasecores.com .

 

 


A cidade devolvida
Whisner Fraga

 

A geografia de A cidade devolvida é a da linguagem. Herdeiro da linhagem de Joyce, Rosa e Pennac, Whisner Fraga constrói suas histórias com uma carpintaria toda própria, em que a frase, o ponto, a palavra, a chave, expandem os sentidos para além da fronteira do linear, do comum.
Na viagem a Pakaa-Nova, passando por Camacã e pelo Rio Anunzê, encontramos uma fauna inesperada pelo caminho, povoado pelas tribos mais diversas. “Mas que sei eu de latitudes e longitudes?” Mais adiante, será outra a cidade mas ainda uma busca, uma helena inatingível, por entre labirintos de concreto.
Artesão cuidadoso, o autor vai nos envolvendo na riqueza de seus sons e ritmos, na invenção do inesperado, no inesperado da invenção. Num instante estamos presos em sua teia de noites; mais além, o tempo pára num relógio quebrado: e a cidade agora é um Rio que vive na lembrança, à beira do abismo.

“sei que é ela se insinuando, usando helena como subterfúgio, mostrando o que teria lá do outro lado, não, minha cara, eu já sei o que existe em todos os pontos das coordenadas euclidianas. não se fie nesta ingenuidade arquitetada com cimentos de medo.
chegarei à margem como de costume, estancarei meus passos diante do cruzamento: pronto: para a revanche, para a sua fúria prestes a verter venenos ousados, serei a mais sólida vontade, de concreto e aço, não, desde aquele dia que
tenho coragem, enfrentei heroicamente meu medo, travamos injusta batalha: não venci, não era para ter triunfos ou derrotas: mas tendo subjugado a mim mesmo, exigiu meu cérebro um preço e a ele sou fiel até o fim: e a cidade? a cidade? a cidade? confusa geografia a me cuspir...”


A cidade devolvida
Whisner Fraga
108 páginas
Compre através do site www.7letras.com.br

COMUNIDADE NO ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=6707208

 

 


Transroca, o navio proibido
Rodrigo Capella

 

“Transroca: o navio proibido” (R$ 16,00; 112 pág), da Editora Zouk, é o mais novo livro de Rodrigo Capella. A obra tem como protagonista o detetive Kall, já conhecido pelos leitores por atuar em “Enigmas e passaportes”, primeiro livro de Capella, publicado em 1997.

A trama se passa a bordo de um navio que faz um cruzeiro por um lugar fictício, Perúsia Grande, e tem como destino a cidade de Parja. A bordo estão Kall, o detetive, e sua mulher Amanda, em viagem de lua-de-mel. Durante a viagem, um assassinato deixa os passageiros estarrecidos e coloca o detetive em ação. Um renomado biólogo foi morto e Kall revela o criminoso.

Inspirado em Agatha Christie, Conan Doyle e outros, Rodrigo Capella constrói uma história cheia de mistério, intrigas e diversos suspeitos, mantendo o clima até a revelação final. Este ano, além de “Transroca: o navio proibido”, Capella lançou “Como mimar seu cão” (Zouk, R$ 18,90; 72 pág), um manual para transformar animais de estimação em grandes companheiros.

O novo livro de Rodrigo Capella, “Transroca: o navio proibido”, tem prefácio do cineasta e roteirista Ricardo Zimmer, que inclusive estuda a possibilidade de adaptar a trama para o cinema.

 

 


Concerto para Arranha-céus
Ronaldo Cagiano

 
A Palavra Definitiva
Whisner Fraga

Tendo iniciado seu percurso literário com alguns livros de poesia e uma novela juvenil, entremeando colaborações e resenhas em diversos jornais, Ronaldo Cagiano firma-se definitivamente na ficção com este segundo volume de contos. Após o premiado Dezembro indigesto, o escritor mineiro radicado em Brasília mal deixou a poeira abaixar e nos apresenta Concerto para arranha-céus, mais um exemplo de vitalidade dos autores da nova geração.

Novamente o autor utiliza o cotidiano como matéria de sua literatura. E é uma matéria áspera, injusta, melindrosa, que não permite retoques feitos por artesãos inexperientes. E as mãos de Ronaldo estão ainda mais habilidosas. Os temas são corriqueiros, pequeníssimos recortes da vida e é daí que o contista extrai uma prosa densa, incisiva, inquietante e muitas vezes desesperada. Continua dissecando as tragédias interiores de seus protagonistas sofridos, com tal veemência e talento que não nos resta outra alternativa, senão sucumbir à nossa (vil) condição humana.

Ao lermos as epígrafes, percebemos que a cidade é personagem principal nesses contos. Não somente a metrópole, tão apreciada pelos contemporâneos, como pode dar a entender o título aos leitores mais apressados, mas também as cidades do interior, com sua fauna igualmente peculiar de seres, coisas e situações.

É a cidade que impele seus habitantes a atos que não tomariam se participassem de outro habitat, invocando uma simbiose na qual essas atitudes fazem dela um ser orgânico e participante do cotidiano de seus moradores. É o concreto vingando em seu destino de prédio.

Há Minas em seus contos, mas também há Brasília, São Paulo, Paris. Não que os universos precisassem dessa migração (não podendo ser entendida como ampliação do espírito humano) das personagens, mas necessitam como parte de seu processo de caracterização: um lugar não pode ser como o outro, a sociedade é singular, também o devem ser as histórias que se passam em ambientes distintos. Existe também um misto de melancolia e mágoa em relação à sua terra natal, cujo destino foi retórico por autoridades sinistras, e que já não é a mesma Cataguases da infância do autor, mas é um sentimento de quem conhece profundamente a natureza que criou e que, portanto, pode criticá-la como uma mãe procede com o filho que ama.

A reação ao sistema que impera nas grandes cidades, principalmente à Brasília burocrática e irreal, está presente, estão ali os bancários bovinizados, os fast foods cheios de pessoas vazias, o cinismo dos congressistas, mas também notamos a decadência das cidades pequenas: a tribuna do disse-me-disse, o golbery municipal habitando um corcunda, os maus políticos nenhum agrupamento social escapa ao olhar crítico de Ronaldo.

Além disso, o arranha-céu chegou ao campo. As cidades explodem e cospem os menos preparados para as cadeias, para o álcool, para a fome e a morte. Como então separar o ser-humano de sua condição social? Não há como. As construções continuarão pulsando, criando sua própria era, a pós-humanidade. É a matéria controlando a carne, ditando a nossa imprevisível história. É o tempo da tecnologia absurda, da velocidade.

Por fim, a busca pela palavra definitiva, ansiada por todos os escritores. Notamos em Ronaldo Cagiano o esmero do lapidador, aquele que deixa a pedra mais brilhante com o mínimo de desperdício, não existem adjetivos sobrando, as frases parecem surgidas prontas para serem lidas. Poderíamos dizer que essa procura tivesse término nestes arranha-céus, não fosse a vulnerabilidade da língua, que permite que esta ou aquela palavra se encaixe com precisão (e beleza) em uma frase com o mesmo sentido. Sabendo disso, o contista não se contentará com o pronto, um Deus que retoca o belo criando um novo belo.

 

 


O Silêncio do Delator
José Nêumanne Pinto

 

Delatando o silêncio de uma geração

Aos 53 anos, o escritor, poeta, jornalista, radialista e comentarista de política na televisão José Nêumanne, paraibano de Uiraúna, radicado em São Paulo, casado, três filhos, um neto, está lançando seu nono livro e segundo romance, O silêncio do delator (A Girafa Editora, 544 pp., R$ 59). O livro narra, em sete vozes, o velório do líder de uma turma (a patota dos sovacões solidários do recruta Pepé) e de sua geração, que viveu plenamente as revoluções política e dos costumes dos anos 60 do século 20.

O corifeu desse coro de narradores (intitulados com versos do samba A voz do morto, de Caetano Veloso) é o morto, um professor universitário de carreira profissional lograda, libido exacerbada e ideologia incerta. Desbocado, franco, rude, sem limites, este comenta, direto do caixão, as visitas que recebe, tendo seus comentários interrompidos por narrativas em terceira pessoa do próprio velório, de encontros da turma no passado em torno de dois álbuns clássicos da música pop - Sergeant Pepper´s lonely hearts club band, dos Beatles (1967), e Bringing it all back home, de Bob Dylan (1965) - e da trajetória de êxito e fiasco dos velhos amigos, um por um. Cada capítulo do romance se refere a uma das faixas desses dois discos e termina com uma estrofe do poema Inventário, de Pedro Paulo de Sena Madureira, do qual foi tirado o título da obra.

Pelo velório passam a viúva historiadora, a mãe possessiva, a filha pragmática, o filho orientalista e os velhos amigos da patota: Paulo, o publicitário bem-sucedido que não consegue se firmar como escritor da moda; Marlon, o guerrilheiro-galã que se torna rico corretor do mercado financeiro; Ricardo, militante comunista que vira ministro de Estado; Jorge Carlos, astro do rock; Helena, amiga de adolescência com quem o morto viveu um caso fugaz; e Pepé, artista plástico que termina mendigando. Além de Elsa, a Zuca, paixão frustrada da vida do protagonista, e sua adorável filha Esmé, paródia da personagem do conto Para Esmé, com amor e sordidez, de J. D. Salinger. O leit motiv do romance é o conflito entre o morto e a viúva: ele, adepto de Heráclito de Éfeso, orgulha-se da contribuição que sua geração deu ao gênero humano; e ela, hegeliana, acredita que a história só se repete em ciclos.

O romance é um projeto de 20 anos do escritor, que se tornou conhecido pela crítica implacável aos costumes políticos nacionais nos editoriais do Jornal da Tarde, nos artigos para o Estado de S. Paulo e nos comentários que apresenta em sua coluna diária - Direto ao assunto - na Rádio Jovem Pan e nas duas edições do Jornal do SBT. Seus oito livros anteriores são: de poesia (As tábuas do sol, Barcelona, Borborema e Solos do silêncio), ficção (Veneno na veia), reportagem (Atrás do palanque e A República na lama), ensaios políticos (Reféns do passado) e perfil biográfico (Erundina, a mulher que veio com a chuva). Também gravou poemas no CD As fugas do sol e organizou a antologia Os cem melhores poetas brasileiros do século.

 

 


Como Mimar seu Cão
Rodrigo Capella

 

Seu Cão Merece! Você Merece! E Nós Também...
Por José Aloise Bahia


Existe algum cão em seu apartamento ou casa? No sítio? Conhece algum vira-lata perdido ou freqüentador assíduo do seu bairro? Se a resposta for não para as três perguntas, bom sinal, pois você é um candidato em potencial para ler o livro “Çomo Mimar seu Cão” (Editora Zouk, São Paulo, 2005), de autoria do jornalista paulistano Rodrigo Capella. A dica inicial: de preferência leve este simples e divertido compêndio - não confunda com auto-ajuda - para uma leitura ao ar livre. Por exemplo, sentado num banquinho de uma praça ampla e arborizada da sua cidade, tendo como companhia alguns cachorrinhos que por lá passeiam com seus respectivos donos. Após as primeiras páginas e uma pitadinha de reflexão, uma coisa eu tenho certeza: a sua saúde e compreensão do mundo canino, por extensão o humano, aumentarão em graça, humor e cortesia. De repente, você pode até mudar de idéia. Num ato virtuoso e polido adotar um animal. Os médicos receitam. Dizem que faz bem para o coração.

Por falar nisso, se tem uma virtude que andava meio sumida do mapa no mundo contemporâneo é a polidez. A “virtude das aparências” de acordo com os franceses, prima em primeiro grau da educação, parece estar de volta. Forçando-nos a superar atos de recusa, a polidez sugere um encontro, e o seu desdobramento: a comunicação e o diálogo. Conjunção importante, e que vale sempre ser relembrado nesta mesclada sociedade individualista e globalizada. Sob a perspectiva do eu, advêm desta constatação algumas indagações: nestes tempos, seríamos nós suficientemente maduros para procurar o outro, e romper com a nossa indiferença? Suficientemente maduros para parar – dar um “stop” - e perceber o outro?

Tentar se comunicar, tornar comum, dialogar e manter uma interatividade mais plena? Valem refletir tais tentativas e esforços. Como valem também observar as lições cheias de afetividade apresentadas por Capella em seu livro. 50 dicas importantes para transformar seu animal de estimação num grande companheiro, ou 50 dicas importantes para transformar você num grande companheiro dele, o cão. No fundo, no fundo, já que as relações entre os humanos são mais complexas, procuremos pelos menos tratar bem o fiel amigo de todas as horas. Seja ele um mini-yorkshire de três anos (raça do enorme colega Brutus, a quem o autor dedica o livro), um lulu da Pomerânia, um pequinês, um boxer ou um fila.

A Moral da História - Eis a apologia fundante e a pergunta básica estampada por Capella na contracapa do livro: “O cão é o único que te dá amor incondicional! Não pede mesada, não exige presentes caros e gosta de distribuir carinho. Não está na hora de você fazer o mesmo por ele?” Uma possível resposta, se é que possam ter respostas - aliás, as soluções são os atos de carinho e cumplicidade cotidiana com o seu cão, seu gato, pássaros, etc. e a preservação da natureza em geral -, ou um reconhecimento, que é atentamente percebido e escrito nas orelhas de “Çomo Mimar seu Cão” pelo respeitado cineasta Carlos Reichenbach: “ É engraçado, só agora me dou conta que posso falar cobras e lagartos de certas ex-namoradas e amigos ressentidos, mas não consigo ter sequer uma lembrança ruim de qualquer amigo canino. Acho que apliquei com eles todas as lições sugeridas neste livro, embora eu continue tendo a impressão de que não bem (ou só) de cachorros que Rodrigo Capella esteja falando”. Reichenbach captou o espírito da coisa. A moral da história.
E quais são as lições fundamentais do livro? Cinco estágios, divididos em 50 dicas essenciais para o amadurecimento físico e psicológico do seu cão. Seria somente do cão!? Tudo gira em torno do verbo mimar. Isto mesmo, mimar = dar mimos, dar carinho. Tendo como epicentro de toda as situações não o cão em si, mas o seu dono. Ou os seus donos - tem psicólogos animais especializados e zoólogos que afirmam que os cães não têm somente um dono. Li isto numa revista científica de uma vizinha que estuda medicina veterinária na UFMG. Mas esta é uma outra discussão. Pois bem, voltemos ao livro. No estágio número um, observamos o valor da comunicação, a noção de liberdade, a alimentação, a higiene e as brincadeiras básicas e animadas que o autor revela como essências no trato e convivência diária com o(s) escolhido(s). Tem gente que não gosta só de um. Prefere logo o casal ou toda a ninhada.

Estágios e Dicas - A evolução do livro se faz pelo humor fino e a coragem ao divulgar determinadas situações e sugestões realisticamente fantásticas que beiram um tipo de democracia total, transgressora e transparente. É o caso da dica número 14 (estágio dois): “TV... Deixe o cão escolher a programação durante todas as semanas. Isso mesmo. No prazo máximo de um ano, você se tornará uma pessoa mais culta e mais canina. Quem garante? O cão.” Não podemos desprezar tais sinalizações e escolhas, pois, segundo o autor, de uma maneira radical: “... Já nós, seres teoricamente humanos, preferimos assistir novelas, seriados, jornais e programas de auditório. Achamos isto divertido. Os cães detestam. Acham que esses programas são um atraso de vida.”

No estágio três (se você conseguir chegar até lá será um grande passo, como observa o próprio Capella), os conhecimentos e noções de reciprocidade, polidez e leitura vão se aprofundando. As observações e incrementos chegam ao máximo da exigência na dica 26 (estágio três), cujo título chama-se “História”. Como não se sabe o tipo de narração que o canídeo exigirá do seu dono, e para uma formação mais diversificada e humanista, aliás, mais canina, a sugestão é a seguinte: “Monte uma biblioteca para o seu animalzinho e catalogue toda a coleção... Com certeza terá um cão mais comunicativo, sociável e empreendedor”. No estágio quatro, o item 36 chama a atenção, um dos assuntos prediletos de todos os homens e mulheres: “Namorar”.

Os cães também necessitam namorar, segundo o autor. O cúmulo da sacanagem e solidão é cadastrar o cachorro nos sites de namoro virtuais (coisa que muitos marmanjos e marmanjas fazem há tempos). Interessante esta questão, pois vem à memória uma reportagem que vi semanas atrás numa emissora de TV a cabo. Uma sorridente e ruiva norte-americana estava sendo entrevistada enquanto escolhia num site específico um par ideal para sua jovem fox terrier de puro sangue. Ela ficou em dúvida entre dois pretendentes. Um do estado da Flórida e o outro de Michigan.

Certificado de Fidelidade Canina - Se você conseguir – eu acho que consegue – chegar até o último estágio, o de número 5, você realmente tem uma saudável vocação para compartilhar a sua residência com um cão ou cadela (você decide!). As coisas encrencam mesmo, como aponta a dica 45, se você pretende adotar um cachorro e tem alguma criança em casa. Porquê? “O cão não gosta de dividir a atenção, o carinho e os elogios que recebe.” Esta reflexão, com certeza, todo pai ou mãe já as fez. É claro! Para o bem da família. Depois de ler as 50 dicas, Capella impõe através de um breve sermão uma penitência, um longo exercício de tolerância: ler novamente as mesmas 50 dicas inúmeras vezes. Segundo o jornalista, ajuda na memorização. O grande prêmio, após os esforços empreendidos e passar por todos os estágios, encontra-se escrito na página 71: o Certificado de Fidelidade Canina.

Detalhe: para ter valor o diploma de “benemérito e grande benfeitor, amigo e irmão dos caninos” precisará ser assinado por não menos que o presidente da república. A assinatura do dono do cão é mais fácil de conseguir, doravante a do presidente...
Depois da leitura – atenta, amena, despojada e sem preconceitos, eu espero -, o negócio é praticar as lições. Entretanto, antes de realizá-las, tenha sempre em mente que o mínimo que o seu atual ou futuro cão quer é carinho, atenção e respeito. Agora, se a sua relação com ele está noutro patamar - vai de mau a pior - “Çomo Mimar seu cão”, realmente, vai ajudar-lhe a refletir e a perceber onde estão os seus erros e como fazer para mudá-los. Pois afinal é bem mais sensato, humano e canino reconhecê-los e pedir desculpas através do diálogo, sorrisos em vez de caras feias, favores e educação em vez de indiferença.

Sei que é difícil, mas tente. Seja um pouco mais humilde, pacífico e polido. Já é um bom começo. Se quiser, se tiver paciência, vai aí uma dica final: tente também mimar com alegria contagiante, exercer o senso lúdico e divertir. Sem falsos moralismos, criar condições e momentos de felicidade. Seu cão merece! Você merece! E nós também...

Trecho (Dica) do Livro:
“Vivemos numa globalização cada vez mais intensa. As pessoas precisam divulgar seus trabalhos, façanhas, conquistas e realizações. Somente dessa forma obterão o reconhecimento justo dos demais seres humanos. Com os animais funciona diferente? Não, mas com a diferença de que eles têm a necessidade de informar aos outros sobre detalhes íntimos. Número de filhos, quantidade de pêlos, cor dos olhos e se ronca ou não. Por que tudo isso? Os outros cães precisam saber como o seu amigo é fisicamente e psicologicamente, para só assim decidir se vão gostar ou não dele.
Portanto, comece a planejar um site para o seu cão. Se não tiver tempo, contrate um bom profissional, pois há muitos no mercado. Selecione um material diversificado e interessante sobre o cão, como cartas, vídeos, desenhos, figurinhas, bonecos e brinquedos em geral. Fotografe tudo nos mínimos detalhes e coloque no site. Isso ajudará, e muito, a carreira artística de seu amigo. Se é que ele pensa em ser um artista (pensa)?”

José Aloise Bahia (Belo Horizonte/MG). Jornalista e escritor. Pós-graduado em jornalismo contemporâneo. Autor de Pavios Curtos (anomelivros, 2004).

 

 


Dramas Urbanos
Alex Sinagoga, Anderson Henrique, Ava Sommers, Maurício Rosa e Whisner Fraga

 
Coletânea de contos sobre a realidade brasileira
Autores: Alex Sinagoga, Anderson Henrique, Ava Sommers, Maurício Rosa, Whisner Fraga
Formato: 14 x 21 cm
Editora: MonteCastelo Multimídia
136 páginas

Este livro é o resultado de um concurso de contos realizados pelo portal www.montecastelo.com.br
cujos autores, premiados através de votação pública online, tiveram as suas obras publicadas neste volume.
 
 

 


Poetas Mineiros em Brasília
Organizado por Ronaldo Cagiano

 

Publicado pelo selo da Varanda Edições, que tem colocado em circulação literatura de qualidade feita em Brasília, o volume reúne 153 poemas de 16 autores, oferecendo uma síntese das obras individuais. O livro também tem o mérito de traçar um panorama da arte poética produzida em Brasília nos dias atuais, pois reúne autores atuantes na cidade.

O prefácio é de Affonso Romano de Sant´Anna, que chama a atenção para a diversidade de linguagens e estilos, como se os autores traçassem dentro de Brasília – e do livro – a mesma diversidade geográfica que caracteriza Minas Gerais. “Poeticamente, Minas, um continente disfarçado em ilhas, se recriou em Brasília, e disto esta antologia dá provas”, afirma Affonso Romano.

Quatorze cidades, de diferentes regiões do Estado, estão representadas no livro. Cataguases, fazendo jus a suas tradições literárias, comparece com três poetas. Curiosamente, a capital e principal cidade mineira, Belo Horizonte, não tem nenhum representante.

São os seguintes os poetas selecionados: Alan Viggiano, Alexandre Marino, Anderson Braga Horta, Cristina Bastos, Danilo Gomes, Dilermando Rocha, Ésio Macedo Ribeiro, Joanyr de Oliveira, João Carlos Taveira, José Carlos Pereira Peliano, Lina Tâmega del Peloso, Marcos Bagno, Napoleão Valadares, Stela Maris Rezende, Wilson Pereira, além de Ronaldo Cagiano, que organizou o livro.

 

 


Dezembro Indigesto
Ronaldo Cagiano

 

Literatura brasiliense à moda antiga
Zuleika de Souza

Dezembro Indigesto, livro de Ronaldo Cagiano, reúne contos muito distintos entre si. Mas, em comum, suas narrativas curtas têm a característica de conferir pouca importância à fábula. O causal, o anedótico recebem destaque bem menor que a situação existencial das personagens. São contos que pouco apostam na seqüência dos eventos e na surpresa do desfecho. Investem é na remoagem da experiência, seja para ampliá-la pela exposição de variados ângulos, seja para repisá-la, como se a absorção pela consciência fosse impossível.

Há contos que são flagrantes de estados mentais. Outros, fragmentos de um conflito. Existem, ainda, aqueles que ficam mais próximos da reflexão do que de uma célula dramática. Mas duas vertentes prevalecem na coleção de contos: uma é a da investigação de certo estado de ânimo, a outra é a da temática social. Filia-se a esta última um dos contos de melhor realização do volume: Legião Estranha. Já o que encerra o livro — Desencontros, Desencantos: Exício — é exemplar da primeira tendência, a que busca apreender uma situação e disposição de vida de modo a pôr em causa o que nela é acessório ou essencial.

O livro tem a peculiaridade de conter registros do percurso de leitura do autor. Atualiza seus diálogos com escritores diversos. Faz isso de tal modo que alguns contos se tornam performáticos. O que fundamenta o comentário de Luiz Rufatto, na quarta capa, de que Ronaldo Cagiano é um autor à moda antiga. De fato, paga tributos a estilos novecentistas. Frases torneadas ao gosto e feição de outros tempos podem deixar surpreso o leitor de hoje.

O aspecto lingüístico não é, porém, o único traço de outras épocas dessa reunião de contos. Cagiano tem uma queda pela focalização onisciente, aquela que confere ao narrador o conhecimento total do narrado e, desse modo, resiste a dúvidas e contradições. Vai, portanto, na contramão do procedimento narrativo contemporâneo, em que o narrador expõe a ação sem dela extrair certeza ou convicção. Procura manter o distanciamento e atestar a relatividade do saber.

Em certos contos, o autor aproxima-se do narrador primordial, aquele que, além de deter o conhecimento da experiência, assume a privilegiada posição de julgá-la por meio de intrusões. As intrusões do narrador são aqueles comentários que, feitos ao longo da narrativa, traduzem — ou traem — a posição ideológica e afetiva de quem conta a história.

É o que acontece, por exemplo, no momento em que classifica de paranóica a incessante busca do pai por determinada personagem. Quando esse tipo de intrusão ocorre, o espaço de inserção do leitor se restringe. Encolhem-se as entrelinhas. Diminuem as possibilidades de interpretação.

Intrusões são inevitáveis, uma vez que são partes do ato de linguagem. Ao longo da história literária, essa prática teve adesão de nomes célebres como Balzac. O lugar que ocupam no relato, no entanto, se não for controlado, impede a variada percepção de quem lê. A ostensiva projeção da subjetividade do narrador, sopesando e opinando sobre tudo o que narra, inibe a doação de sentidos diversos por parte dos demais. Circunscreve um espaço onde não deve haver limites, além daqueles próprios a qualquer relato ficcional.

 

 


Flor de maravilha
Flávio Paiva

 

O livro FLOR DE MARAVILHA, de FLÁVIO PAIVA, sugere o diálogo entre a literatura e a música como recurso de viabilização do espaço de criação do leitor. São 20 (vinte) histórias e 20 (vinte) músicas, cada qual especificamente na sua linguagem que, num processo de intertextualidade, brotam de 20 (vinte) Temas essencialmente cotidianos (que falam do dia-a-dia das crianças, de suas brincadeiras, amizades, das pessoas, dos animais, de manifestações da cultura popular, enfim, da vida).

Entre histórias e canções do Flor de Maravilha, as crianças vão conviver com 'A menina do pé pulador'; 'O susto da sereia dorminhoca'; 'O piolho ciumento '; 'O tocador de pratos'; 'A primeira adivinhação do mundo'; 'O abraço do pingo de gente'; e outras tantas, para ler, sonhar, cantar e brincar. As histórias podem ser lidas pelos adultos ou pelas crianças e as cantigas podem ser cantadas por todos.

Na sua proposta de ampliação das possibilidades de leitura, o autor, Flávio Paiva (jornalista, compositor e escritor cearense, 45 anos), além de contar com as belas ilustrações dos artistas plásticos Dim (acrílica sobre eucatex) e Nice Firmeza (bordados em cambraia de linho), traz as partituras das canções transcritas pelo maestro Tarcísio José de Lima, tendo as letras de todas as faixas cifradas pelo violonista Tarcísio Sardinha. A obra é acompanhada por um cd com as músicas de Flávio Paiva cantadas por Olga Ribeiro, todo gravado com instrumentos e músicos reais.

Flávio Paiva: www.flaviopaiva.com.br

Cortez Editora
96 páginas
Formato: 21 x 28
R$ 39,00

Cortez Editora (11) 3864-0111
www.cortezeditora.com.br

cortez@cortezeditora.com.br

 

 


O pequeno livro das páginas em branco
Jaime Celiberto


Colher caquis e recolher os cacos

Em O pequeno livro das páginas em branco, adolescente busca um caminho para passar a vida a limpo depois da morte do pai.


"O texto me foi recomendado por uma colega, atriz, que insistiu muito para que eu o lesse e desse a minha opinião. Obedeci e, de um só fôlego, devorei a peça. Confesso que não esperava um texto de tamanha qualidade. Imediatamente, telefonei à Lara Córdula agradecendo a recomendação que me fizera e demorei procurando expressar-lhe o entusiasmo que me dominou ao fim da leitura" 

Gianfrancesco Guarnieri, ator e dramaturgo


O pequeno livro das páginas em branco
Editora Scipione
Coleção Diálogo 
Autor: Jaime Celiberto
Ilustrações: Félix Reiner
Número de páginas: 80
Preço recomendado: R$ 14,50 
Vendas: Rua Fagundes, 125/133 - Liberdade, São Paulo. Tel.: (11) 3277-1788

Mais informações:
editora scipione
Artur Louback Lopes, assessor de comunicação
imprensa@scipione.com.br
Tel.: (11) 3241-2255, ramal: 332
Fax.: ramal 243
www.scipione.com.br  





Coreografia dos Danados
Whisner Fraga


Coreografia dos Danados é mais uma obra que representa o fôlego da literatura brasileira, e neste livro de contos, Whisner Fraga a trata com maestria.

"Não vou ficar de meneios, enchendo-lhes a cabeça com descrições. Querem me visualizar? Pois bem, peguem a Árearea, do Gauguin. Pronto? Estão vendo a taitiana de branco? É a minha cara. Cresci assim, encarnação do quadro, perder meu tempo me queixando a Deus? Carne é para isso mesmo, tenho que usar enquanto presta."

Trecho do conto "Vila Pureza"

"Você está abrindo um bom livro. É estréia e é de primeira qualidade". Assim o renomado escritor Deonísio da Silva inicia o prefácio de Coreografia dos Danados (Edições Galo Branco, 140 p,R$14,00), de Whisner Fraga. A antologia, que venceu o Primeiro Concurso de Contos das Edições Galo Branco em 2001, tem linguagem renovadora e ousada e é composta por vinte e três contos, dentre eles o premiado "Vila Pureza", história de uma menina Abandonada que se torna prostituta de luxo e utiliza o sexo como forma de ascensão social.
Livro elogiado por autores como Manoel de Barros, Luiz Vilela e Luiz Ruffato, Coreografia dos Danados está se tornando o marco editorial do ano.

Contato com o autor: whisner@zipmail.com.br

Vendas: edigalobranco@aol.com

Confira na internet: minicontos de Whisner Fraga - http://www.ignoremode.org/minicontos





Canção Dentro da Noite
Ronaldo Cagiano


"Os exageros eu os credito à solidão, esse rebanho de ausências e sua confraria de silêncios, que nos acantoam ou nos impõem um degredo maior que asila a alma e desmantela as coisas."  
Fragmentos do Poema da Impermanência


Recebido com prazer pelos apreciadores da poesia, Canção dentro da noite de Ronaldo Cagiano tem recebido críticas muito positivas e já conquistou espaço em matérias nos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Correio Braziliense, Jornal de Brasília, Estado de Minas e O Tempo e Hoje em Dia.

Vendas
Livrarias Siciliano

Canção Dentro da Noite
Thesaurus Editora - www.thesaurus.com.br

Contatos com o autor: ronaldo.cagiano@bol.com.br





Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século
org. de José Nêumanne Pinto Ilustrações e capa de Tide Heillmeister




"Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século" mostram que a vida não é só Trevas. Depois de lançar o livro-bomba "Memórias das Trevas - Uma Devassa na Vida de Antonio Carlos Magalhães", que vendeu 35 mil exemplares em 15 dias, e mostrou o lado escuro de um político de grande poder, provocando uma das maioroes polêmicas do ano, a Geração Editorial apresenta agora a inspiração e a transparência dos maiores mestres da poesia brasileira.

"Os Cem Maiores Poetas Brasileiros do Século" é uma bem elaborada coletânea organizada pelo jornalista - e também poeta - José Nêumanne Pinto. Em seu prefácio, Nêumanne explica que a escolha dos poemas começou com suas preferências pessoais, adquiridas desde o seu mais remoto contato com a poesia, ainda adolescente em sua Paraíba natal, até o confronto com sugestões e opiniões dos maiores especialistas e críticos literários do Brasil, cujas opiniões ouviu.

Profundo conhecedor do assunto, o autor não só se entregou ao delicado trabalho de selecionar os melhores poetas brasileiros do século como, deles, extrair um só poema que representasse a grandeza de seu autor. O resultado é um livro que reúne algumas das palavras mais inspiradas de nossa poesia.

"Os Cem Maiores Poetas Brasileiros do Século" traz ainda um texto de apresentação para cada poeta e, em cada capítulo (tópicos que vão desde o Pré-Modernismo até os poetas populares menos conhecidos do grande público) uma exposição sobre cada corrente literária da literatura brasileira desse século. Para este trabalho, Nêumanne contou com a colaboração dos especialistas Rinaldo de Fernandes e Sandra Moura.

O livro tem duas curiosidades: são cem os poetas, mas 97 os poemas, porque os poetas Décio Pignatari, Haroldo e Augusto de Campos (são irmãos) negaram-se a autorizar a reprodução de seus poemas, porque, segundo o editor Luiz Fernando Emediato, queriam saber antes "em que companhia estariam". Informados disso, ainda assim recusaram, com o argumento de que estariam organizando eles mesmos uma antologia só com os trabalhos deles. O editor e o organizador decidiram então manter os poetas com suas biografias, os títulos dos poemas que seriam reproduzidos e a indicação de onde eles poderão ser lidos, se os leitores assim quiserem.

"Os irmãos Campos e o poeta bissexto Décio Pignatari têm valor, porque lideraram um movimento importante, mas realmente eles são muito chatos, individualistas e vaidosos - por isso não estão na antologia. De qualquer forma, registramos a vontade de tê-los, e basta", comentou o editor Emediato.

Para dar forma a tão boa poesia, a Geração Editorial procurou o trabalho de um dos artistas gráficos mais conceituados da atualidade. Tide Heillmeister ilustrou e fez a capa de "Os Cem Poetas", completando um trabalho que mostra que o país não é só feito de ACMs, mas, felizmente, também de Vinícius de Moraes, Carlos Drummond de Andrade, Manuel Bandeira, Cecília Meirelles, Augusto dos Anjos, Ferreira Gullar, Adélia Prado, Machado de Assis, Mario de Andrade, Murilo Mendes, Mário Quintana, Paulo Mendes Campos, Mário Chamie, Paulo Leminski e dezenas de outros.

Outra curiosidade do livro - ousada opção do organizador José Neumanne Pinto - foi publicar como um dos maiores poemas do século os versos de Otacílio Batista "mulher nova, bonita e carinhosa, faz um homem gemer sem sentir dor", consagrado como letra de música na voz de Zé Ramalho. "Esse poeta conseguiu a admiração de Manuel Bandeira, que criou os versos 'saí dali convencido, que náo sou poeta não; que poeta é quem inventa, em boa improvisação, como faz Dimas Batista, e Otacílio, seu irmão'. Se Bandeira assim o diz, quem sou eu para desdizê-lo?", justifica Nêumanne.

Nêumanne teve também outras ousadias: não incluiu na coletânea os poetas Manoel de Barros, Ana Cristina César e Cora Coralina, que a mídia adotou nos últimos anos. E incluiu trechos de poetas populares de cordel, como Patativa do Assaré, Zé da Luz, José Camelo de Melo Resende e José Pacheco. "Desde o começo me propus a intrometer os poetas do povo no meio dos eruditos", explica Nêumanne. "Afinal, a proposta não foi escolher os cem melhores poetas eruditos do Brasil".

"Os Cem Melhores Poetas Brasileiros do Século" - coletânea que também deverá provocar polêmica no arraial literário - está chegando às livrarias neste final de semana, com uma campanha publicitária inicialmente nos jornais do Rio e de São Paulo.

Clique aqui para ler trechos do livro 
no site da Geração Editorial





O Caso da Favela Naval
José Carlos Blat e Sérgio Saraiva


Já está nas livrarias o livro "O Caso da Favela Naval", escrito a quatro mãos pelo promotor José Carlos Blat e pelo jornalista Sérgio Saraiva, do Diário do Grande ABC, ambos atuantes no caso desde o seu início. O livro reúne toda a história do episódio que abalou o Brasil em 31 de março de 1997 ao ser exibido na TV, em cenas gravadas por um cinegrafista free-lancer.

Confira:

A divulgação, com crítica, do livro "O Caso da Favela Naval", de José Carlos Blat e Sérgio Saraiva, está agora também na revista Macunaíma, sobre teatro, no endereço
  http://sites.uol.com.br/macunaim/macunaima34.htm .

Pesquisa
www.dgabc.com.br/favelanaval ,
www.brasilleitura.com.br

Vendas on-line
www.submarino.com.br (entre os livros recomendados) e na

O Caso da Favela Naval - Polícia Contra o Povo
Editora Contexto - www.editoracontexto.com.br





Espelho, espelho meu
Joilson Portocalvo e Ronaldo Cagiano


Escrito a quatro mãos

Interessante identificação de cada autor aqui e acolá gravado em expressões, desenvolvimento de assuntos, linguagem literária. Ronaldo Cagiano é a face mais amadurecida dos personagens, de linguagem intelectualizada e aguçado senso crítico, característica que o identifica em toda a sua obra. Joilson Portocalvo é o descompromisso com o mundo real, mergulho no universo adolescente, com jeito de pensar e falar próprios do jovem, o que em nada frusta a beleza literária de sua criação. Como em seu livro anterior; A dança da lua cheia, Joilson traz para Espelho, espelho meu o ponto de vista adolescente, só que desta vez não é somente às meninas que dá a palavra. Fábio, personagem central, revela o univrso masculino com suas dúvidas e desejos. Foram felizes Ronaldo e Joilson ao abordarem a problemática da gravidez na adolescência neste livro, onde o namoro de Fábio e Renata resulta em um filho não planejado. Reações e atitudes dos dois jovens devem criar; além de profunda identidade personagem-leitor; referência para semelhante situação. É temática que só tem a contribuir para a formação intelectual de nossos jovens.

Idalina de Carvalho

 

Thesaurus Editora www.thesaurus.com.br





A Caixa de Pandora
Alexandre Lobão


"A Caixa de Pandora e outras histórias" é a primeira obra de Alexande Lobão a ser publicada. Dono de um estilo próprio de escrever, o autor apresenta suas histórias de maneira viva, quase como uma conversa, envolvendo com a mesma facilidade o leitor tanto em situações cotidianas quanto em realidades diversas que por vezes chegam ao limite da imaginação.

Confira trecho do livro nos sites
www.thesaurus.com.br/pandora.html
e
www.writers.com.br/autores/alb012k.htm

Vendas on-line
www.siciliano.com.br.

Vendas em Brasília
Livraria Cotidiano, Café das Letras, Livraria da UnB, Banca do Gilson (UnB), Central City Comic Shop (113 Norte), Livraria Solivros, etc.

Thesaurus Editora - www.thesaurus.com.br
Writers -
www.writers.com.br (responsável pela publicação na internet)





A Concha e a Borboleta
Texto:Eduardo Loureiro Jr. - Ilustrações:Mariza Viana


A concha sonhava em encontrar companhia e sair voando pelos ares.A borboleta queria apenas um abrigo para proteger suas asas cansadas. Uma pequena fábula, contada de modo delicado.

Clique AQUI .





Redonda
Texto:Eduardo Loureiro Jr. - Ilustrações:Daniel Diaz


Quando era lua cheia e a maré subia, lá na cidade chamada Redonda, Respo caía em um sono profundo. Por isso, nunca conseguia ver a magia que tomava conta das noites de sua cidade. Até o dia em que ele teve um sonho estranho, que iria mudar para sempre a sua vida.

Clique AQUI .