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Ninguém
precisa
Olha ali
Sou eu
devota
beata
Sou a que carrega
o estandarte espermático
Ligo a doutrina
do amor inventado
Piso sobre brasas
e camas de prego
e á noite, às vezes,
acordo em pânico
com agulhadas finas
como parece a sua risada
nos meus sonhos agitados
Sou aquela
que se crucifica,
que se crucifixa
trato da mentira e do medo
com ladainhas xamânicas
a minha voz é contrita
quando falo
em um telefone público
Ninguém precisa
de altares
Ninguém precisa
de amores devotos
servis
Ninguém precisa.
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