MILLY HALLIWEL

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Valeu

Amor, meu grande amor...

Essa solidão que me assola o peito faz com que você se materialize ao meu lado, faz com que você faça parte destas paredes que me cercam e desta porta, e destes armários e faz com que você vague com a música e se perca no ar. Faz com que você sinta o sabor do dia, o calor do sol e saudades de casa.
E faz você ter certeza do amor e da paixão e te faz ter saudade dos papéis jogados no chão, dos tapetes sujos...
E você me olha, me toca, me beija, me deseja e me faz sentir cada vez mais só pelo fato de saber que você já morreu dentro de mim. E isso machuca. Dói como se estivessem fincando um pau no meio do peito. É uma dor indescritível e ainda sinto essa dor durante 20 segundos, tempo suficiente para ver minha vida passar na minha frente como um filme.
E é tão pouco... Que ainda sobra tempo para pensar em você.
E te esqueço. Vejo negro, nem um palmo. Meus olhos se fecham. Meu coração serena. Vejo meu corpo estirado no asfalto, como lixo, como nada...
E isso me faz sentir você me dizendo que faria de tudo para ficar comigo para sempre, que me amava e que jamais iria me deixar.
Que pena!
Mas acima de tudo, valeu.
Valeu as horas
Valeu as memórias
Valeu os beijos
Valeu os desejos
Valeu o corpo
Valeu o copo
Valeu o detalhe
Valeu o vestido
Valeu os filhos
Valeu as brincadeiras
Valeu a felicidade
Valeu a vida
E valeu por tudo.
Até pelo pau que fincaste em meu peito no momento do desespero.
Valeu!