MARCO AURÉLIO BICALHO DE ABREU CHAGAS

marcoaureliochagas@hotmail.com 

O amor

Necessita o amor
pra que seu volume aumente,
de uma fonte de estímulo,
direto e bem consciente.

E do verdadeiro amor
nunca devem se ausentar,
abnegação, sacrifício,
necessários cultivar.

Para ser alguém...

Pra ser alguém é preciso,
sobressair ao vulgar,
ser verdadeiro em tudo,
e o propósito alcançar.

De que valem os esforços,
e as energias também,
se inexiste a orientação,
pra conquista deste bem!

Unida a força de um,
aos demais maior será,
fortalece assim o espírito,
pra nessa luta marchar.

Na busca deste ideal,
de se ser o que se quer,
deve se deixar de ser,
tudo aquilo que se é.

Uma gotinha...

Se uma gotinha falasse,
o que iria dizer?
- unida a muitas gotinhas
ao rio faço crescer.

Se uma gotinha falasse,
o que iria dizer?
- ao cair num copo cheio
a água não pode conter.

Se uma gotinha falasse,
o que iria dizer?
- após uma noite o orvalho
nas folhas você me vê.

Se uma gotinha falasse,
o que iria dizer?
- sozinha sou pequenina
junto a muitas posso SER.

Se uma gotinha falasse,
o que iria dizer?
- dos raios do lindo sol
em mim consigo reter.

Se uma gotinha falasse,
o que iria dizer?
- evaporo, formo as nuvens
e caio ao solo ao chover.

Se uma gotinha falasse,
tanto iria dizer!

A alegria do triunfo

A alegria do triunfo
não posso experimentar,
se não me disponho sempre,
em todo instante lutar.

A discrição do artíficie
(Inspirado no conto do livro INTERMÉDIO
LOGOSÓFICO, de RAUMSOL).

Tinha um escultor por costume,
quebrar pedras noite e dia
e aos que por ali passavam
que indagavam, respondia:

- corto essas pedras porque
nada tanto me entretém
que contar os pedacinhos.
Isso muito me convém.

Passado, então, algum tempo
a todos surpreendeu,
o laborioso artífice.
Vejam só o que aconteceu!

Diante de olhos assombrados
fez que o véu decerrassem,
de grande e formosa estátua,
pra que eles a admirassem.

E assim falou o escultor:
- se tivesse anunciado
o que fazer me propunha
teria algo realizado?

Com conselhos dispersivos
teriam me importunado
e certamente o trabalho
não teria terminado.

E deste relato surge
a real necessidade
de não expor os projetos.
Isso é uma realidade.

Deve ser bem protegido,
todo projeto valioso
com o véu da discrição,
dos olhos do curioso.

É preferível mostrar
a real fecundidade
do nascente pensamento
com fatos e sem alarde.