Kléber Albuquerque *** Desvio ***

 


Foto: Drika Bourquim

O DISCO E O SHOW


por Carla Dias


O NOVO
 

Em “Desvio”, seu novo trabalho, Kléber Albuquerque optou pelo coletivo. Os arranjos das treze canções que compõem o CD são em parceria com os músicos que o gravaram: André Bedurê, Estevan Sinkovitz, Simone Julian e Simone Soul. Participam como convidados, na faixa-título, o grupo Canto de Cozinha, formado por ele, Ceumar, Gero Camilo, Rubi e Tata Fernandes, quem também participa da faixa ‘Estrada’. As parcerias nas composições também têm forte presença. Com Tata Fernandes divide os créditos das canções ‘Ai’, ‘Inequação’, ‘Estrada’, ‘A liberdade! A liberdade! A liberdade’ e ‘A melhor parte’, esta contando também com co-autoria de Nô Stopa. Com Alessandra Brantes compôs ‘Contato’ e com Flávio Alves a faixa-título, ‘Desvio’. Fechando o disco vem a parceria com Flávio Desgrandes e Giuliana Simões, ‘A canção do cãozinho Esaú’. Kléber assina integralmente as canções ‘Brasa’, ‘Maluca’, ‘Copacabana’, ‘Só mais um blues’ e ‘Essa mulher’.

 
O LANÇAMENTO DO NOVO
 

No dia 1º de abril, Kléber Albuquerque subiu ao palco do SESC na sua cidade natal, Santo André, para apresentar o show de lançamento de seu quarto CD, “Desvio”, acompanhado por André Bedurê (baixo), Estevan Sinkovitz (violão/guitarra), Olívio Filho (sanfona), Simone Julian (flautas/zurnas) e Gustavo Sousa (bateria/percussão). Desfiou um rosário de ritmos, melodias e poesia, em um show não só de boa música, mas também de confirmações, como a de que Kléber Albuquerque é figura importante na nossa cultura, porque seu trabalho anda para frente e leva o público junto. Leva-o pela mão e lhe mostra universos de uma intensidade calcada no que pode até parecer complicado (como as furtivas emoções do apaixonado, do sonhador, do magoado, do irado, do irônico...), mas não deixa de lado o conhecimento sobre a magia que há na simplicidade de ser e de enxergar situações. É um talento que ele tem: tecer bálsamo na dor aguda. Rir da dor aguda até que ela se canse e parta. Aprender a tirar da dor aguda a sonoridade que precede o alívio. E enquanto isso, apresentar uma performance a contento.

 
O DIARIAMENTE DO NOVO
 

De uma maneira muito corajosa, Kléber Albuquerque incutiu em sua obra a excelência da liberdade. Não há amarras. Não há rótulo. Há uma série de adjetivos que parecem desajeitados demais ao tentarmos usá-los para explicar o valor do que ele faz ou a maneira como este feito nos atinge.

Kléber pega do diariamente muitas das imagens que nós não alcançamos com facilidade por estarmos envolvidos demais com as nossas próprias buscas, e as transforma em poesia e música, dando origem a um mapa que usamos para localizar aquele olhar adiante que não exercitamos por precisarmos disso mesmo: de um empurrão. Ele é um observador que ao ser observado expande idéias e alimenta ideais, não como autor de experiências alheias, mas sim como quem influencia o outro a olhar para dentro de si mesmo e passar um tempo às voltas com o que pensa e sente.

Para entrar no universo da obra de Kléber Albuquerque é preciso estar disposto a se deixar guiar pela inventividade, pois na sua arte as coisas acontecem e desacontecem o tempo todo. E se depois dessa descoberta você se pegar saindo por aí, cantarolando as músicas desse compositor-poeta como se fossem reza da braba, alargue sua compreensão... São mantras, canções de acordar, ninar desaforos, sintonizar discordâncias. São abrandamentos e cutucões. São trilhas sonoras para as nossas próprias emoções. Elas desapropriadas do esquecimento e lembradas com gana e sutileza.

Antíteses adoçam a compreensão na obra de Kléber Albuquerque. E a empatia cria um elo entre as diferenças. Na sua música toda poesia pode acontecer.

 
A BIOGRAFIA DO NOVO                                                                  *** DESVIO ***
 

Faixa 1 >>> Brasa (Kléber Albuquerque)
“Subi no cimo do aterro/para amplificar meu verbo/pra reverberar meu berro”

Faixa 2 >>> Maluca (Kléber Albuquerque)
“Vibra o corpo pelo ar/e ensina Shiva dançar/e destrançar estrelas”

Faixa 3 >>> Ai (Kléber Albuquerque/Tata Fernandes)
“Deu meu coração de falar esperanto/na esperança de ser compreendido”

Faixa 4 >>> Inequação (Kléber Albuquerque/Tata Fernandes)
“Quem parecido, que indivíduo que confere/quem com ferro fere, quem com ferro ferirá”

Faixa 5 >>> Contato (Alessandra Brantes/Kléber Albuquerque)
“Eu desliguei o motor do meu caminhão estradeiro/meus olhos se encheram de cor/choraram um rio inteiro”

Faixa 6 >>> Estrada (Kléber Albuquerque/Tata Fernandes)
“Acho tudo teus olhos/acho tudo bonito/olha o jeito que eu fico/quando vejo você”

Faixa 7 >>> Desvio (Flávio Alves Costa/Kléber Albuquerque)
“Não há o que não seja/nem universo baldio/não há vão/não há vão/não há vão no vazio”

Faixa 8 >>>  A liberdade! A liberdade! A liberdade! (Kléber Albuquerque/Tata Fernandes)
“A verdade é muito diferente/a verdade é uma só/na verdade é só seguir em frente”

Faixa 9 >>> Copacabana (Kléber Albuquerque)
“Sua praia já não é mais minha onda/sua bossa é minha Ronda/Seu poeta é Baudelaire”

Faixa 10 >>> Só mais um blues (Kléber Albuquerque)
“Escrito em tinta sangue, ó meu amor/só dá pra um blues/só da pra um blues a minha voz”

Faixa 11 >>> Essa mulher (Kléber Albuquerque)
“Essa mulher entende tudo/Essa mulher entende tudo errado/quando eu digo que o amor é um mel amargo/ela discorda e diz que é um sal doce”

Faixa 12 >>> A melhor parte (Nô Stopa/Tata Fernandes/Kléber Albuquerque)
“Meu estado tem dois lados/bate um certo, outro errado/um exato, outro incerto”

Faixa 13 >>> A canção do cãozinho Esaú (Flávio Desgrandes/Giuliana Simões/Kléber Albuquerque)
“Jacó, acostumado à fragilidade do cão/não conseguia suportar aquela alegria/aquela grande agitação”


 

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COMUNIDADE NO ORKUT: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=426577