JOÃO VILARIM

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Felicidade

Mais que a expressão de seu olhar
É o objetivo de teus sonhos: felicidade
Que dure quanto durar este amor
Transfigure-se na Vênus: linda, sedutora...
Proteja teu tesouro mais caro, mais valioso.
Redescubra hoje o teu passado agora em você: ser mãe
Seja a luz do caminho tortuoso daqueles que te molestam
Mas seja também feliz, abandona a morte em vida em que está: viva
Que a tua juventude não se perca na penumbra da rotina
Conjugue-se. Transforme-se verbo amar: se entregue a quem mereça
Procure tua fonte mais límpida, sacie tua sede.
Faça jorrar de ti o “néctar” mais puro da mulher: goze

Procure a felicidade,
Em tua linda e avassaladora forma de seduzir
Procure na mãe que ostenta a juventude de teu desabrochar
Como a primeira rosa se abrindo para o campo
Como o primeiro sonho realizado
Como o primeiro olhar de quem te seduz
Como o primeiro beijo na cama desarrumada
Como o primeiro orgasmo sentido a dois
Como a doce forma de amar
O amor eterno, conjugado com todas as formas...
E depois de tudo,
...um sorriso...
...um aconchego...
...um namoro...
...um novo começo...
...a primeira vez...
...um convite para a “dançar” novamente...
O olhar... o beijo...o afago...as carícias em teu corpo nu...
A felicidade... que entra...
...e que sai...

Silêncio

Escuta, é o silêncio,
É tão alto que não conseguimos ouvi-lo.
A quietude de um quarto à noite,
Embalando sonos, madrugada após madrugada,
Guardando entre paredes, ecos
Repercutindo um som tão tranqüilo,
Que não podemos ouvir.

Escuta, é o silêncio,
É tão vivo que não conseguimos senti-lo.
A semente fecundando-se na terra fofa,
Tão fria, tão quieta.
Germinando-se, fazendo a planta crescer,
Sempre em silêncio,
Que nunca vamos ouvir.

Escuta, é o silêncio,
É tão explícito que não podemos explicá-lo.
O coração batendo no compasso da vida,
Devagar dilacera-se, gotejando sonhos,
Deixando a fantasia fluir sobre o real,
Aprofunda-se na alma, fazendo o amor crescer,
O som do amor que não podemos ouvir.

Escuta, é o silêncio,
É tão só que não o percebemos.
Vem acompanhado pelos ecos e soluços,
Lágrimas e prantos, felizes ou não,
Apodera-se dos lugares como a luz,
Com tal sensibilidade como que por encanto,
Nem só somos capazes de tolerá-lo.

Taurina

Busco em palavras expressar-me
Jogando os sentimentos pra fora
Reciclando-os
Permitindo-me sonhar e sentir
Sempre estar preto de amores
O aconchego de um abraço
Um suspiro de paixão
Um sussurro de tesão...
Procuro dentro de mim
O que me faz querer ficar só
O que busco na solidão
Sabendo que sinto falta de uma bela mulher
Uma taurina preferencialmente
Foram tantas perdi a conta
Sem nexo, nem sentido caí em outro signos
Mas o convívio com sua força me seduz
As donas do dinheiro
Banqueiras zodiacais
Sempre afogo-me nos amores
Que elas, as taurinas, me ofertam
De algumas eu corri...
Por outras me fiz presente...
De algumas me ausentei...
Por algumas outras deixei-me seduzir...
E outra amei...
Sou mesmo um caranguejo
Atento e ligeiro em minhas garras
Minhas mãos, minha música
Porém sempre andando tangencialmente
E observando tudo
E com elas toureando
Olé!

O tempo

Às vezes o tempo passa por nós
Ele nos saúda e continua a correr
Correr por entre os ventos
Correr por entre suas obras
Naufragar no mar das esperanças
Trafegar nos mais íntimos pensamentos
Rebuscar a mais esquecida lembrança
Somos parte dele somos fragmentos da espera
Ad libitum, jogados ao léu.
Devotos a ele, o tempo, Majestade Suprema.

Ele sabe, ele faz-se Justiça
Ele enobrece o sentimento de perdão
Se gasta a purificação do amor
O tempo é gasto e é frio como o ódio
Quente como o amor
Doce como a liberdade
Sublime como nove meses de gestação
Altruísta como o poder sobre as nações
Indagação da criança sobre a morte
Experiência do velho sobre a vida

Nada mais justo que a espera dele
Um beijo afoito que nada diz
Um abraço terno que aconchega
Um olhar penetrante que mostra nossa alma
Um suspiro profundo que prova a saudade de quem é amado
O sorriso plácido de uma criança
O tempo justo, plácido, ternos, profundo e penetrante
O tempo que ora acaricia, ora bate
Ora domina ora se deixa dominar
Ora mostra as armas, ora a bandeira branca da paz.