JEAN-PIERRE BARAKAT

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Eflúvio noturno

Ouviste os suspiros
De um anjo na prece,
Aí, deslizando no fluxo sagrado
De um desejo ancestral...

Sentiste a exalação
De rosas vermelhas ansiosas,
Aí, no jardim do porvir,
De um novo amanhecer...

Viste a alma carinhosa
Procurando outra alma...
Aí, na beira do desespero
Abraçaste, agarraste a Vida...

Fizeste uma promessa
No éter rutilante do Divino...
Aí, na conivência do Amor,
Mais uma pagina foi escrita...

O êxtase foi seu...

Eis a noite|

Eis a noite...

Muda, nua e calada,
Isenta de sons e perfumes,
Como um sonho distante,
Como um dia sem amanhã...

Não há dor, nem prazer,
Simplesmente o silêncio dominador,
Ditador, sobre os seres e as coisas...

Não há desespero, nem esperança,
Simplesmente o nada em tudo,
Soberano sobre a imensidão do Universo...
Eis a noite...

Elegante dama, fugaz e mascarada,
Presente na ausência das horas,
No Carnaval de nossas almas anelantes,
Nos beijos invisíveis dos nossos desejos
Acoitados, acalentados...

Não há hora, nem dimensão,
Simplesmente o verbo divino dos anjos,
Redentor, vibrando nos ouvidos e corações...

Não há perdão, nem esquecimento,
Simplesmente teu amor singelo e suave
Desvairando sobre os meus pensamentos
Banhados de luz...

O pranto

O pranto lavou teu sorriso
Seu canto amansou as trevas
E um novo dia amanheceu...

A dor doeu, mas passou
A dor doeu, mas afogou-se
No rio infinito que morre
E renasce no vasto mar...

O pranto lavou teu sorriso
Seu canto amansou as trevas...

Os galhos tristonhos brotaram
E os pardais trouxeram a visão
Daquele mundo perdido no momento
Do lamento fugaz, do sonho de paz
Que o coração conhece e alimenta...

O pranto lavou teu sorriso
Seu canto amansou as trevas...

E na emoção do amanhecer
As pétalas retiveram teu orvalho...
E a vida gritou mais uma vez.

Onda do amor

Fonte
Fonte fevereira
Que morre no mar azul
Lá, debaixo da Cruz do Sul
Tão ligeira

Amo
Amo e não me canso
De navegar e chorar sem fim
Em tuas lágrimas, sorrir assim
Daquele jeito manso

Mãos
Mãos amigas no meu rosto
Aliviam minha dor, meu cansaço
Energizam a vida, num abraço
Uma alma de Agosto

Beijos
Beijos que nada são e nada pedem
Néctar de um sonho alado
Vozes cristalinas do Eu calado
Dançam nos lábios, flores do Éden

Paz
Paz que rasga o silêncio infindo
De um olhar sem uma voz
De um coração meigo, feroz
Aguarde...a onda do amor vem vindo !

O silêncio da pedra

Na ausência de som encontro
Tua verdadeira face,
Teu verdadeiro sorriso,
Teu verdadeiro abraço...

Posso tocar tua alma,
Mergulhar nos teus pensamentos,
Posso chorar, sorrir, cantar,
Derramar todo meu Ser no seu,
E somente você vai sentir...

Posso compartilhar o Sonho,
Revelar-te meus medos,
Dormir, acordar, dormir,
Descansar no teu Universo,
E somente você vai saber...

Posso beijar ardentemente
Teus lábios pelos quais anseio,
Percorrer com meus lábios
A extensão sensual do teu corpo,
E somente você vai gemer...

Posso suspirar no teu ouvido
Palavras de Amor, de entrega,
Alcançar a quintessência da Vida
Num bater de asas celestial,
E somente você, somente você,

Meu Amor, vai viver tudo isso...