JANDER MINESSO

minesso@uol.com.br

O filtro

Feche a porta
Mate a idéia
que não passa
pela fôrma
Pela forma
tão perfeita e
imbecil
Estável como
um
qua
dra
do


Te gosto

Te gosto tanto
e um tanto mais
e mais que muito
e muito mais que tudo
Te gosto asetihujos
Te gosto asdfhjeruiteg
Te gosto tanto
que perco as palavras
e invento absurdos
que tentam mostrar
o quanto
e quanto mais
te gosto


O barco na tempestade

É tão difícil achar
o fim
É fácil se perder
no mar
Eu rodo sem sair
daqui
Eu abro sem poder
fechar

Um mar de onda forte
Sem ter onde parar
O ciclo não se fecha
Um ponto é pura sorte

É tão difícil achar o
fim


Amnésia

Tudo o que eu tenho
Tudo o que eu vi
Todos os nomes, lugares e coisas
Tudo sou eu

Cada sorriso
Cada lembrança
Cada momento, memória ou pintura
Isto sou eu

Eu sou o que lembro
Eu sou o que alcanço
Mas (tantas memórias!)
esqueço quem sou


Descartável

Seus olhos não são seus
e as palavras voam longe
Antes que você perceba
outro nada vem aí

Seus braços não são seus
e o dinheiro fala alto
e te vendem tantas luzes
que só brilham uma vez...

Seus pés não são mais seus
Você vai onde te mandam
Onde há brincos e sorrisos
Isso é quase diversão

Seu sangue não é seu
e se espalha num quadrado
Mas é menos que um instante
Você nunca sente a dor

Pule numa lata de lixo


Falhas

Há flores que secam
Há homens que erram
Espelhos se quebram
Ninguém é seu Deus

Quando você acorda
todos os seus sonhos parecem menores

Há anjos que caem
Demônios que sofrem
Escolhas nos cortam
Ninguém é seu Deus


Um

Eu
não
sei
ser
nós

Eu
não
sei
te
ver

Eu
sou

mais
um

Sou
meu
Bem
e
Mal

Eu
não
sei
da
paz

Eu

vi
a
dor

Dor
nas
mãos
do


Sol
nas
mãos
dos
reis

Não
sei
mais
ser
dois

Eu
sou
o
meu
Deus

Eu,

só,

eu


1964

Uma noite sem estrelas
nesta vida sem sentido
destes olhos sem lembranças
que não podem enxergar
esta noite sem estrelas
que demora a terminar

Uma noite sem estrelas
nesta terra sem o som
destas vozes sem o medo
de morrer ou de sonhar
numa noite sem estrelas
que façam o sol chegar