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Enigma I
O mar,
assim como te chama,
te responde
De que tu falas?
O que tu escutas?
— Escuta o mar
— Pergunta ao mar...
O mar e a
pedra
Eu sou o mar que entra em
ti, ó pedra
E ficas muda sem gemer, com dor
Enfurecido rasgo-a toda e medras
Sem explicar direito o que é o amor
Em noite e dia é o vai-e-vem constante
Empurro firme o fluido em tua entranha
Jamais reclamas ou diz que é bastante
Ficas passiva e nem espuma estranhas
Assim percebo que o tempo passa
E te esfrangalho em pequenas lascas
Tu não respondes e a vida embaça
Se fico bravo, como em águas bascas
Torna-te areia, assim como se faça
E não percebes que desdobras cascas
A fome
Até quando passaremos breus insones
a pensar nesses pobres malvestidos?
Os que mandam não querem ser movidos
pelas vozes que pedem -- estão com fome!
Até quando viverão nessa pobreza
a pedir alimento, pão e água?
Os que mandam não querem sentir mágoa
e não mostram o futuro, uma certeza.
Os que mandam não querem sentir nada
O dinheiro do pobre logo some
e o presente não dá uma guinada
Adormecido Gigante, fica insone!
Acorda logo e segue essa jornada!
Veja os pobres chorando -- estão com fome. |