FERNANDO TANAJURA MENEZES

FMenezes@aol.com 

Enigma I

O mar, 
assim como te chama, 
te responde 
De que tu falas? 
O que tu escutas? 
— Escuta o mar 
— Pergunta ao mar... 

O mar e a pedra

Eu sou o mar que entra em ti, ó pedra
E ficas muda sem gemer, com dor
Enfurecido rasgo-a toda e medras
Sem explicar direito o que é o amor

Em noite e dia é o vai-e-vem constante
Empurro firme o fluido em tua entranha
Jamais reclamas ou diz que é bastante
Ficas passiva e nem espuma estranhas

Assim percebo que o tempo passa
E te esfrangalho em pequenas lascas
Tu não respondes e a vida embaça

Se fico bravo, como em águas bascas
Torna-te areia, assim como se faça
E não percebes que desdobras cascas

A fome 

Até quando passaremos breus insones 
a pensar nesses pobres malvestidos? 
Os que mandam não querem ser movidos 
pelas vozes que pedem -- estão com fome! 

Até quando viverão nessa pobreza 
a pedir alimento, pão e água? 
Os que mandam não querem sentir mágoa 
e não mostram o futuro, uma certeza. 

Os que mandam não querem sentir nada 
O dinheiro do pobre logo some 
e o presente não dá uma guinada 

Adormecido Gigante, fica insone! 
Acorda logo e segue essa jornada! 
Veja os pobres chorando -- estão com fome.