FERNANDO LUSVARGHI

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Voar, horizontes

Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Sem cair e machucar minha alma
Faria como os pássaros que migram para um rumo certo
Com seus amigos, família.....em busca de proteção.

Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Tocaria as nuvens, alcançaria o céu
Bebendo água límpida
Antes que esta tocasse o chão.

Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Viajaria longas distâncias, conheceria o mundo
E cada lugar que as asas alcançassem
Seriam um templo de aprendizado e contemplação.

Se pudesse voar, buscar novos horizontes
Enxergaria o mundo de cima
Buscaria a lua, as estrelas....o cosmos
Encontrando-me mais perto de Deus e da salvação.

Herói dos dois mundos
homenagem a Giuseppe Garibaldi

Em épocas conturbadas
Fome, pestes e empreitadas
Vieste ao mundo, Giuseppe
O proscrito da nação italiana À liberdade retornar

Não seriam os Bourbons, Pio IX
Ou mesmo os austríacos
Que a Itália repartiam
E muitas lágrimas impeliam
Que o impediriam de lutar

Herói nascido mesmo quando criança
Em cuja alma só havia a esperança
Lançou-se ao mar sem medo
Salvou vidas sem desprezo
Da terrível morte secular

Logo, fora exilado
E o Brasil, o reino consolado
Destino de muitos revolucionários
E pátria onde a liberdade clamava
Fazendo sua espada desembainhar

Onde houvesse iminente pedido
Lá haveria o seu grandioso auxílio
Sendo o corsário em mares perdidos
Ou o guerrilheiro nos pampas cisplatinos
Nada fazia a sua convicção alterar

Em “terra brasilis”
Saboreou a vitória, a derrota
Deixou seu sangue em guerras mortas
E amigos perdidos, nas navalhas e tiros,
Que a Itália nunca mais iriam retornar

Plenitude breve na vida amorosa
Amou Anita como poucos
Raptou-a para si como os loucos
E no amor insano, trazendo-a à guerra
Fez de Laguna seu novo lar

Aqui nasceu o pequeno “Menotti”
Fruto da miscigenação de almas pueris
Filho do vento, a luz da espada
Que o pai utilizava, a mãe acompanhava
No mesmo caminho a trilhar

Nas guerras e batalhas, carisma indelével
Contagiava pessoas experimentadas
E incendiava a aura eterna da juventude
De ter a terra livre ou morrer com hombridade
E assim, exércitos conseguiu formar

Com Bento Gonçalves compartilhou a luta
Montevidéu pediu ajuda
Não se cansava de elogiar a força gaúcha
E prostrado nas farroupilhas
Outras terras buscou alimentar

Seu manto era sua imagem
E qualquer que fosse a viagem
Sempre houve alguém a lhe acompanhar
O seu fiel e gentil escravo
O negro Aguiar

Anistiado de seus “pecados”
1848 foi o ano dos fatos
Retornou para a luta redentora
E com Mazzini, objeto de nova aurora
Para a Itália reunificar

Diversas e outras foram as batalhas
Marchou célere sobre as Sicílias
E teve a “via Appia” como sua segunda casa
Aonde precisassem das mãos armadas
A aguerrida vontade estava a proporcionar

Viveu e morreu em vida
Cuja solidão fora além de um incólume fardo
A jovem e doce Anita morrera após o parto
De um filho que seria benvindo
E a lembrança, a tristeza de recordar

Suas glórias e pessoas amadas
Ficaram descansando sob os solos italianos
E deixaram-no morto, mas respirando
Na perseverança que os verdadeiros heróis possuem:
Poder a pátria restaurar

Exaltemos a sua “buona fortuna”
Deste Garibaldi, filho da coragem
Que em ambos os mundos
Deu a vida pela liberdade, e,
Para que pela eternidade, o hino de Mameli possa... entoar... ecoar...

Verdades!

Louca dor
Sinto na alma infeliz
Tristeza por ser passado
De um mundo
Que não foi, e nem é
Ninguém sabe o que diz

Ilustres pensadores "ignóbeis"
Débeis de mentalidade "sã"
Qual é a loucura do mundo
A não ser esta em que o mundo está!

O pequeno se considera grande
A inteligente, imortal
Pobre do sujeito que não sabe
Que este mundo como tal
É totalmente irracional