EDMAR BERNARDES DASILVA

escritorbr@yahoo.com 

Mediterrâneo

Água e vento no Mediterrâneo
Uma brisa soprando em italiano
Tento descobrir de onde venho
Do Mediterrâneo ou do Brasil
Fixo meus olhos na água azul
O mar índigo esconde segredos
Como o escorpião esconde veneno
O escorpião dança no deserto
Eu mergulho no Mediterrâneo
O Mediterrâneo me absorve
A sede me traga por dentro
Meu corpo submerge
Minha alma dilui-se
Mediterrâneo me traga faminto
Satisfaço-me intrinsecamente em suas águas
Liquidifico-me completamente
Absorvo toda a energia
Meu corpo diluiu-se no Mediterrâneo
Meu espírito submerge

"Sentimentos e Paixões" - 1998

O exotismo do escorpião

Tudo é muito escuro
Escuto o escorpião
Conheço esse som
Também esses movimentos
Movimentos sem música
A dança da morte
O escorpião se move
Espalhando medo
Conheço essa dança
Um exotismo fervente
De repente tudo pára
Como no orgasmo
Sentem-se raios de luz
O escorpião se movimenta
Em uma dança de êxtase
Borboletas saem da escuridão
Não entendem a orgia da dança
Borboletas buscam a luz do Sol
Fugindo o escorpião, que dança
Fogem do exotismo que o cerca
Esse não é o mundo delas
Esse pertence ao escorpião
Mundo feito de desertos
Completo de areia quente
Debaixo de pedras escondem-se
Ocultando seu veneno
Veneno que embriaga de exotismo
Que mata de prazer e dor
Também se mistura com areia que queima
Veneno que nos cega de amor
Como a areia que cega de calor
O escorpião ainda dança
Uma dança elegante
Movimentos de êxtase
Exotismo espiritual
Dança sem música
Dança da alma
Dança da morte.

Indígenas

Portugueses avistam terra
Nativos de caras pintadas
Pintadas da cor vermelha do pau brasil
Indígenas, tabas, ocas e águas
Locupletam as entranhas da floresta
Onde espíritos indígenas ocultam-se
Escondem-se entre troncos dentro do mato
Iaras ocultam-se nas águas cristalinas dos rios
Iaras são lendas nativas da terra Brasil
Fábulas da gente Tupí-Guaraní
Povo protegido pelo Sol e pela Lua
Deuses mitológicos noturnos e diurnos
Tambores tocam dentro da mata fechada
Indígenas cantam dentro da noite
Um espetáculo primitivo de música e cores
No mato fogueira acesa testemunha
Canto e coreografia Tupiniquim
Dentro da noite a Lua é cheia
Lua, deus da mitologia nativa
Deus da crença aborígine do Brasil.

Escrevo sobre nativos, porque me fascina a sua mitologia, costumes, e também me fascina a alma ecológica que habita dentro de cada um deles.

Memórias

Estou aqui solitário
Perdido dentro de mim
Tudo passou como o vento
Coisas aconteceram entre nós
Não mais estás comigo
Em ti matei a solidão
No entanto deixaste o vazio
Roubaste todo o meu amor
Me deixando completamente só
Te abri meu coração
Tu te fechaste para mim
Hoje vivo só de memórias
Ainda te amo em demasia
Ainda canto tuas canções
Ainda sinto tua presença
No entanto me sinto só
Mergulhado em solidão.

Tentativa

Tento justificar minha obsessão
Do gosto pela poesia
É uma tentativa que não alcanço
Tentativa além dos meus sonhos
É um vício inexplicável
É uma sensação muito agradável
É vontade de mostrar toda a maravilha
Também toda a energia
Que vem da poesia.