Vários sites nasceram, e outros tantos já morreram, nesta terra chamada internet. Um universo catalisador de idéias, uma vitrine na qual não há modelo padrão: entra e posa quem quer. Essa liberdade vem criando espaços muito interessantes, mas também, como em qualquer meio de comunicação, há os descartáveis.

Assim como costumamos ir à livraria e pesquisar quais títulos têm mais chances de nos agradar, antes de comprá-lo, também na internet nos cabe fazer tal escolha e com os mesmos requisitos. Para que um site freqüente a nossa lista de favoritos, ele deve merecer nossa atenção e nosso tempo. Ele deve ser atraente e inovador.

Atualmente, ele está em versão blog, mas não foi assim que começou. O Crônica do Dia completará, em julho, uma década e, para comemorar, vamos contar um pouco sobre como ele chegou à internet.

Eduardo Loureiro tinha o Pátio, site no qual divulgava o trabalho e obras de outras pessoas. Foi devido às conversas que mantinha com Felipe Holder, também mantenedor de um site cultural nesses moldes, o Gréia, que concluiu que seria interessante se houvesse um espaço para divulgar estes outros espaços. Nas palavras de Eduardo, “uma espécie de descanso de nossa missão”. Ele também começou a conhecer pessoas que tinham sites culturais interessantes, como Leila Míccolis e Urhacy Faustino (Blocos), Whisner Fraga (Égoïsme) e Daniel Galera (Proa da Palavra). Daí para o nascimento do Crônica do Dia foi um estalo... Ou um clique no mouse.

Sobre o método de publicação, Eduardo esclarece: “Loteamos a semana entre os cinco sites (Pátio, Gréia, Blocos, Égoïsme e Proa da Palavra). Blocos e Pátio ficaram com dois dias. O editor de cada um desses sites escrevia no seu dia ou então selecionava um autor que publicava textos em seu site. Por isso que tínhamos um subtítulo para o Crônica do Dia: um site coletivo". Eduardo era o responsável por publicar os textos, mas a edição era compartilhada entre os editores do site.

A primeira evolução marcante do Crônica do Dia foi ter cronistas fixos. A princípio, eram pessoas que já vinham colaborando com o site, mas logo foi aberto também um espaço para contribuições avulsas. O que começou como um mecanismo bem bolado para divulgar sites culturais, tornou-se um ponto de encontro de autores e a pluralidade de seus pontos de vista.

Em 2oo4, Eduardo teve de se afastar da edição do site, e Claudia Letti e Cristina Carneiro assumiram a função por alguns meses. O Crônica do Dia ficou sem atualizações por algum tempo, e leitores assíduos passaram a cobrar novas publicações. “Ano passado, resolvi assumir de novo, pensando em fazer uma grande e custosa reformulação. Mas o desejo de retornar foi maior do que a vontade de esperar pela grana pra fazer a tal reformulação, então propus que a gente passasse para uma estrutura de blog”, diz Eduardo.

A nova versão do Crônica do Dia foi ao ar em agosto de 2007, radicalizando ainda mais a proposta inicial de ser um site coletivo, pois agora o próprio autor publica seus textos. “Eu saindo do papel de atualizador único também permite que os cronistas, quando desejem, façam mudanças no padrão do texto incluindo sons, vídeos, mudando letras... Isso é bom porque torna o site surpreendente até para nós mesmos”, comenta Eduardo.

As estatísticas apontam que 84% dos leitores chegam ao Crônica do Dia através de mecanismos de busca. A maioria chega por acaso, ainda que considerando que algumas pessoas que já conhecem o site façam a busca para chegar até ele. 9% chegam direto; 7% chegam através de sites de referência e 15% são de leitores que já estiveram lá antes. A grande maioria é de brasileiros, seguida pelos portugueses.

Cerca de 150 cronistas já passaram pelo Crônica do Dia. Atualmente, o site conta com cronistas fixos de domingo à sexta-feira, e contribuições da lista Ártemis, aos sábados. Os textos não são classificados por temas, tampouco distribuído em seções, o que dá ao Crônica do Dia o inesperado como souvenir. É este toque de surpresa, de “o que será que tem hoje pra jantar?”, que faz deste um espaço com suas peculiaridades; suas riquezas.

Eduardo ainda aposta na sonhada reformulação, mas sabe que a conquista virá aos poucos. No domingo, dia 15 de junho, ele mesmo deu um primeiro passo nesse sentido, escrevendo a crônica do dia no dia mesmo, ao vivo, e com leitorespectadores!

Além de estender o convite de escrever ao vivo a outros cronistas, ele também estuda a possibilidade de criar um chat para que as pessoas que estejam acessando o site possam conversar.

Sobre como tem sido lidar com o Crônica do Dia, Eduardo deixa claro que o site tem sido uma tarefa leve e prazerosa. “O sistema de comentários nos deu uma proximidade com os leitores que nós não tínhamos”.

Ao ser questionado sobre o significado de uma década de Crônica do Dia, Eduardo Loureiro não descarta os desafios, mas enaltece os resultados: “Acho que a palavra certa é sucesso. São milhares e milhares de textos inéditos publicados. Amizades criadas entre autores e entre autores/leitores. No Crônica do Dia a gente vive de literatura, não numa dimensão financeira, mas numa dimensão humana: somos tecidos enquanto tecemos nossos textos e tocamos com os olhos os textos dos outros”.