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Léthe
E os
helenos chamavam léthe
o rio do esquecimento
o escondido, oculto e não sabido,
e o contrário era alétheia
o não esquecido, o não perdido
a memória remanescente,
o manifesto aos olhos do espírito
vivido na alma. No espírito
que se confunde com a verdade.
Esquecimento não houve
e ainda agora, em nossos dias
aqui como lá
em qualquer lugar onde te escondeste
ficamos atentos, nós dois
pisando o chão da verdade.
Duvido de
tanta coisa
Duvido de tanta coisa
Duvido de quase tudo.
Há algo que não duvido?
menos por menos dá mais.
Há coisas tão evidentes
E outras mais discutíveis
Há algo que não duvido?
Impar por Impar dá par.
Não sei se amanhã jantarei
Não sei se estou bem de saúde
Tantas coisas que não sei
E outras que nunca saberei.
Mas há coisas bem seguras
Que jamais esquecerei:
Menos mais Menos dá Menos
Menos por Menos dá Mais
Impar por Impar dá Impar
Impar mais Impar dá Par
Eu sou a vida
Eu sou a Rainha
De tudo o que existe.
Da matéria inerte
Da enorme energia
Valho mais que as duas
Que me constituem.
Sou a vencedora
Até da entropia.
Das formas mais simples
Até as mais complexas
Simples figurantes
De minha alegria
Simples testemunha
Do meu devaneio
Só eu me destaco
Mas tenho ao meu lado
Torpe vizinhança
Que segue meus passos
Me incomodando.
Tudo que afirmo
Ela vem negando
Tudo que construo
Ela que destrói.
Nunca estamos juntos
E nunca nos vimos
Pois ela só entra
Quando estou saindo.
Eu que sou a vida
Ela que é... a morte
Eu sou a
morte
Sou a única estrangeira
Que não tem medo da morte
Esse bicho papão
Que a nós todos escarnece.
Eu sei que a mim não me atinge
De jeito maneira.
Pra dizer a verdade nem sei quem sou
Exatamente
Nem sei de onde surgi
Nem sei o que vim fazer aqui
Pois sou e não sou
Ao mesmo tempo
Preciso de uma explicação
De algo que me conforte.
Ah, sim, já sei
Eu sou... a morte. |