Queda
Para Edu
Havia, eu sei, em algum
lugar que se fazia desconhecido, a mágica que me devolveria tudo o que
apaguei da minha alma, durante os últimos anos de minha vida. Assim como
se eu devesse me transformar em especial momento, refiz meu espetáculo
de vida que, retraído, era uma explosão de verdades quase irracionais.
Eu enxergava a vida de maneira a torná-la uma boa gargalhada ou um
palavrão bem sonoro. Mas, enquanto meu senso cômico se apoderava da
minha realidade, no lugar da diversão gratificante estava o desconforto
e o aperto. Era como se eu tivesse vestido a roupa alguns números
menores e me sentisse tão preso...
O que faço aqui, afinal?
Gostava, sim, de ficar entretido com o meu trabalho, esquecendo (aos
poucos, ainda que depressa) que os dias lá força tinham sol e babavam em
chuva copiosa. Há dias, eu só tentava ter algumas horas serenas ao lado
das minhas realizações cotidianas de homem que sente dores nas costas e
se dopa para suportar o ocorrido e se revela encantado com o que fosse
possível resgatar e tivesse boa cara.
Sabe como é dar uma gargalhada dolorida?
Mas existe a possibilidade d lânguida gargalhada, aquela sonolenta e quase de mau tom... Que dor nas costas que nada! A dor é no coração.