1986 foi um ano marcante na minha vida. Deixei a Escola Estadual João Batista Marigo Martins, na Represa, e comecei o colégio na Escola Estadual Dr. Américo Brasiliense, no centro da cidade. Foi um upgrade daqueles, principalmente porque, estando o Américo próximo ao Paço Municipal, descobri a biblioteca.

Também foi o ano em que conquistei meu primeiro emprego fixo. Meu Tio Carlinhos tinha uma montadora de móveis e foi com ele que comecei, oficialmente, minha jornada no mercado de trabalho.

Este também foi o ano em que me apaixonei de vez pela música. Depois de intermináveis disputas com minhas irmãs, a batalha que era para dividirmos gostos e curiosidades pelo radinho AM lá de casa, decidi que queria saber mais sobre música, pois sentia naquele movimento uma intensidade que queria para mim. Sem referência musical e depois de me recusar a ouvir uma música inteira com a Janis Joplin (erro que corrigi mais adiante, quando deixei de lado o pudor e encarei a pluralidade da arte), fui até a Obradec, loja-escola de música e me matriculei no curso de órgão... Pois é, houve uma época em que era moda as meninas freqüentarem este curso.

Lembro-me com clareza dos fatos... Eu queria me envolver com a música e escolhi aquele curso porque não sabia por onde começar. Finalizada a matrícula, a secretária já tinha feito meu cadastro e emitido recibo, bem ao lado alguém abriu a porta de uma das salas e voilà! O som dos tambores invadiu o recinto e, enquanto o professor de bateria falava com a secretária, eu me deixava fascinar por aquele instrumento e seu som imponente. O professor voltou para a sala, fechando a porta e eu, imediatamente, mudei de curso e não só no que se referia ao instrumento, mas também ao curso da minha vida.

Em 1989, eu dava aulas de bateria para iniciantes em pequenas escolas de Santo André. Eu gostava de ensinar, porque aprendia mais e porque me encantava ver as pessoas se apaixonando pela música. No final deste ano, minha irmã começou a trabalhar no Espaço Cultural Camerati e, quando soube que havia outra vaga de recepcionista, falou comigo. Foi assim que em novembro de 1989 comecei a trabalhar lá como recepcionista. Logo depois, como professora de bateria e também na gravadora que nasceu no ano seguinte.

Uma das condições para que eu desse aulas no Camerati era que eu fizesse aula com alguém bacana. Como estudar para mim nunca foi problema, porque eu sempre gostei do aprendizado, acatei à condição. Meu chefe, Cláudio Lucci, e o Julio Menezes, técnico de som do Camerati, definiram com quem eu deveria estudar. Foi assim que, em 1990, comecei a estudar com a Vera Figueiredo. Meu universo musical foi ampliado e a música se tornou ainda mais efetiva. Em 1993 , comecei a trabalhar com a Vera e estou até hoje no Instituto de Bateria Vera Figueiredo, colaborando com o andamento da escola especializada em bateria e na produção de eventos, entre eles o Batuka! International Drum Fest, que figura na lista mundial dos mais importantes festivais dedicados à bateria. O Batuka! vem acontecendo, anualmente, desde 1996.

Toquei em diversas bandas, entre elas a Pássaro de Prata, Entidade Joe e Vergel. Também toquei no show de lançamento do CD da cantora cearense Mona Gadelha, em 1996. As experiências no universo da música têm sido ímpares. Estar envolvida com ele é prazeroso e, sem dúvida, educacional. A arte tem me educado para a vida.