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Nascida
filha de Alzira e Marco, em 16 de novembro de 1970, em Santo André, estado
de São Paulo, às 3h30min. Sol em escorpião, ascendente libra e a lua em
câncer. Batizada Carla Andréia Barbosa Dias. Carla em homenagem ao meu tio.
Venho de uma família grande e morei muitos anos no mesmo quintal com
o meu avô Pedro e a minha avó Anita, além das tias, dos tios e dos primos.
Sou irmã do Luis, da Kátia e da Adriana, e apesar de não terem passado muito
tempo por aqui, também sou irmã da Kelly, do Pedro Leonardo e do Paulo
Ricardo.
Sou
tia coruja da Mayara, do Lucas, da Débora, da Amanda, do Guilherme e do
Murillo. Aprendo muito com eles. Lembro com carinho do meu avô paterno, o
Seu Lili, que era poeta e muito me inspirou durante os poucos anos que
esteve por perto, porque presente ele ainda continua.
Minha identidade, como a de todo ser humano, não se resume ao número
do RG. Morei perto de represa, no bairro Represa,
em Santo André, São Paulo. Brinquei com boneca de sabugo de milho, de
pega-pega e esconde-esconde. Frequentei o Parque
do Pedroso aos domingos, dia de banda tocando ao vivo. Comi chuchu e
mandioca e chupei cana e mexerica do quintal. Foi lá que aprendi o perfume
da terra, depois da chuva, e vi o céu sem máscara de poluição. Foi lá que
aprendi o bê-á-bá de ser gente que colhe o que planta. Foi lá que plantei
sonhos para colher mais adiante.
Frequentava
a igreja católica aos domingos e me divertia quando o encontro de jovens
incluia lanche de pão de forma com patê de sardinha e o refrigerante era
tubaína. Indignada por não poder falar diretamente com Deus, não menti, mas
omiti os fatos reais e inventei a primeira e única confissão que fiz a um
padre na minha vida. Hoje falo com Deus diretamente e, quando preciso
confessar, ligo para os amigos.
Joana D’Arc inspirou alguns dos meus poemas e, desfeito os laços com
a monogamia religiosa, abri mão do rótulo de católica e me permiti acatar ao
humanismo como guia. Hoje, a minha religião é a vida.
Aos dezesseis anos, comecei a trabalhar com o Tio Carlinhos e a
estudar bateria. Três anos depois, mudei da Represa para outro bairro de
Santo André e comecei a trabalhar de recepcionista no
Camerati. Não demorou
e me tornei professora de bateria e também secretária da Gravadora Camerati.
Foram fundamentais os anos que trabalhei neste lugar, pois conheci pessoas
que estarão sempre no meu coração, amigos para a vida. Lá aprendi muito
sobre arte e passei por um período valioso de autodescoberta.
Em
1993, comecei a trabalhar no
IBVF - Instituto
de Bateria Vera Figueiredo, onde estou até hoje, auxiliando na direção
da escola e produzindo eventos, entre eles um do qual sinto muito orgulho,
porque além de apresentar boa música, dá chance a instrumentistas de todo o
Brasil e preza pela nossa cultura. Em julho de 2009, foi realizada a 11ª
edição do Batuka!
Brasil International Drum Fest.
Em 1994, participei de um concurso de poesia promovido pela
prefeitura de São Caetano do Sul (SP) e fiquei entre os classificados com o
poema Transformação. Em 1995, fiz uma
viagem a São Thomé das Letras, Minas
Gerais, depois de convencida por um amigo, o Sam, de que aquele lugar tinha
tudo a ver comigo. Tinha mesmo... É de lá, do jardim da pousada onde eu e
minha amiga Rita ficamos, que veio a imagem que ilustra o meu livro de
contos e poesias, o Azul, publicado em 1997. Alguns dos poemas eu escrevi
enquanto estava em São Thomé.
Em
1998, recebi dois convites do escritor
Whisner
Fraga: publicar um conto na antologia
Encontros e participar como cronista do site
Crônica do Dia.
Aceitei ambos e participei da coletânea com o conto Queda. Até hoje sou
cronista do Crônica do Dia, publicando meus textos às quartas-feiras.
Whisner Fraga se tornou um grande amigo e um dos escritores que mais
aprecio, sem contar que me inspirou a lidar com o universo da prosa, o que
resultou em um dos meus romances,
Os
estranhos, premiado pela Secretaria de Estado da Cultura para apoio à
publicação de livros no estado de São Paulo. Os estranhos foi lançado em
2009, pela [sic]
editorial, que também lançará, em 2010, outro projeto contemplado pelo
ProAC, o romance
Jardim de Agnes.
Em 2001, fiquei em segundo lugar no III Concurso de Contos José
Cândido de Carvalho, promovido pela ANE – Associação Nacional dos
Escritores, com o conto Voo Cego. Também através
de concurso integrei a coletânea
Poesias Brasileiras, com o poema Arquétipo
da Rebeldia Desenfreada.
São tantas coisas para se gostar que, às vezes, eu me afasto para
observar de longe e resgatar a simplicidade do que realmente importa:
almofadas, edredom, batuques, cinema. Tirar os sapatos, séries de televisão,
vinho, andar pelas ruas da cidade em dia de feriado. Sebos de livros e
discos, música para chorar. Música para dançar. Música para amar. Música
para relembrar: música. Tambores. O olhar danado de uma criança pronta para
cometer uma traquinagem. Poesia. Beijo de boa noite da mãe. A leitura de
tarô do Sr. Vicente, apreciador dos anjos e dos mistérios dos símbolos.
Banho de cachoeira. Beijo do amante. Montanhas. Lua. Céu. Avenida Paulista.
Parque do Pedroso. Brasil.
Perdi amigos para a morte e também para os mal-entendidos, e ganhei
experiência no meio do caminho. Cai de amores pela música e sou filha
bastarda da literatura, posto que escrevo devido aos espasmos emocionais e à
urgência em compreender o que, talvez, continuará eternamente
incompreendido.
Não
sou culta. Não sou ilustre. Não sou intelectual. Sou um fragmento de quem
sonhei ser
um dia, mas me surpreendi ao me dar conta de que isso não é pouco. Porque sou
pessoa como todas as outras. Temo. Desisto. Recomeço. Alimento-me do tempo
que, em contrapartida, pede para ser o mestre das minhas transformações.
Não abro mão do respeito. Não temo
a casa vazia. Temo a alma vazia. Amei platonicamente na primeira vez. Tentei
amar apaixonadamente na segunda. Mas verdadeira e intensamente eu amei foi
na terceira vez. Hoje, estou à espera de quem queira me amar, só para variar. |