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A quebra das faces
tombaram as faces,
todos os espelhos
destroçados
e o fim
agora
o corpo excede
cede
à agonia da alma
que dantes dividida
agoira, fragmento e pó
no derrame dos pedaços
cacos
que refletem lacerada
a alma,
em zilhões de faces
acres
novas faces concebidas
estilhaçadas ao chão
e o fim é agora
o fim das velhas máscaras
e o início de tantas outras
todas caídas
esperando
vitória
Do livro
"Mosaico"`
Espelhos
Somos homens demais
Para acessar fontes lógicas
Somos lógicos demais
Para reagir como bichos
Somos bicho demais
Para latir feito gente
Somos gente demais
Para assentar neste mundo
Somos mundo demais
Para raciocinar como poucos
Somos pouco demais
Para sonhar como deuses
Somos deuses demais
Para assumir nossos erros
Somos erros demais
Para pensar como loucos
Somos loucos demais
Para estancar como foscos
Somos foscos demais
Para refletir livremente
Sem os medos demais
Que nos resumem a homens
por questionarmo-nos demais
Do livro
"Mosaico"
Óleo
A gota pincela
tuas matizes mil cores
e mistura-nos em polisonhos,
véus
de policromos
Teu ventre emana,
nágua, óleo
Meus olhos,
em varanda de brisa,
molduras de ti
E as tintas procuram-se
mansas,
lentas
Sobre a tela,
branco empastado na cor,
.nós.
A
metamorfose de Narcisus
Soltei então,
ao vento, o tempo
e o espero retornar
com a mensagem da aurora
tecida na memória que ficou pra
trás
in Mosaico
e nenhuma das manhãs
suspirou paz
quando inquietos
os olhos d’água já não mais encontravam
o brilho dos olhos meninos em busca de si
pois que olhou tanto para dentro
e esqueceu que nada funciona separado
……………………………… unitário
e antes que o galo cantasse
lavou os pés na água calma
e se lançou ao grande abraço........................
..............................................................a semente
.......................................................para a flor
ali, as pétalas do
tempo,
porque nas flores
os olhos dos deuses chegam na terra
e cria o homem Narcisus para ser o mito
e traz o deus Brahma no broto do lótus
o mesmo lótus do colo de Osíris
e todos os restos de
sussurro
os guardo aqui comigo as peças da resposta
que um dia os ventos me mostraram
porque os ventos, estes sabem o porquê de ir
e o porquê de ser
e carregam sobre suas costas
as costuras todas do tempo
e as agulhas das Mãos-todas-de-deus
procuro agora
um fragmento esquecido do momento
uma fração dos paraísos edênicos
e lágrimas de silêncio
para colecioná-los em meu álbum de estrada
porque as impressões são muitas
e onde o vento passou
me trouxe as canções da noite
de uma quase aurora de lua
onde mestres pintaram a tela com o som
e presentearam a humanidade com a voz do divino
…………..a sonata de um já surdo na carne
…………..e outro Clair desta mesma lua
e o cântico que me brota
na alma
está longe dos ruídos todos da carne
pois mesmo que os olhos não vejam, o coração sente
e haverá ainda o dia
em que os homens compreenderão
que a busca não depende
de um caminho predefinido
e nascerá uma religião espiritual
onde reinará a experiência da Vida
e o compartilhamento de almas com a Alma
e a busca pessoal e unitária
se mostrará ultrapassada
porque nada é único
nem o Caminho
nem as Verdades
e perguntaram ao lago
como o Narciso nasceu
a resposta foi simples, ditado que a velha vó trazia nas mãos:
— porque é a dor que ensina parir
E o sol seguia seu
caminho para os bolsos do poente
e as chamas já vermelho-terra da estrela a se esconder
trouxe de volta os ventos todos
e as nuvens todas
e o Oxé e Mjolnir erguiam-se nos céus
e brandiam trovões
e enquanto…,
o suspiro dos
firmamentos:
…….chuva . . . .
. . . .
: : : : : : : .
: : : : : : : .
: : : : : : : .
e os pingos d’água : : : : : : : .
revolviam a terra e
traziam o cheiro da terra
o gosto da terra que senti quando do Sopro
e abri a janela para que entrassem os pingos
cada gota repetia
a face d’outra gota
e me mostravam os olhos-todos-que-são-tantos
daqueles teus que um dia olhei de gosto
e nestes olhos via ainda meu reflexo e o reflexo
dos meus olhos nos teus olhos
e nos olhos, dentro, os olhos-todos-que-são-tantos
um olhar se perdia noutro
e a fábula ressurgia, flores d’olhos
e já não se sabia mais se a chuva permanecia
porque nos olhos,
… haviam se misturado
as lágrimas
e eu fiquei
na praia
do mar
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